Manáuseas 7 meses atrás

ABRIL, GREVES MIL

Há uma lenda urbana diz ter havido muita “perícia” na tratativa da questão e celeridade na condução do processo de reajuste, sem razão para tal. Procedimento diametralmente oposto ao que ocorre com os professores agora. Evidentemente o impacto orçamentário e financeiro do reajuste salarial dos professores é colossal e requer discussão à exaustão.

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Os professores da rede estadual de ensino não aceitaram a proposta de reajuste salarial, feita pelo governo do estado do Amazonas, de 14,5%. A categoria reivindica 35%. A decisão em assembleia foi pela permanência da greve por tempo indeterminado. Os professores querem e precisam ser valorizados.

Agora vamos “pra trasmente”, como diria o prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu. Tudo começou quando o então candidato para o mandato-tampão ao governo do Amazonas, Amazonino Mendes, durante a sua campanha eleitoral, usou uma “estorinha de onça” que jurava amar o Amazona. A coisa colou e ele venceu sem susto.

Passados alguns meses o slogan do “novo” governo foi trocado para “amor à causa pública” – expressão recomendada pelo Ministério Público Federal -MPF fosse retirada da propaganda institucional, em fins de março, entendida que foi pela instituição, como expressão que continha promoção pessoal.

Antes disso, embriagado que estava por tão lindo sentimento, o vice-governador não resistiu aos encantos periciais e “comprou” a causa do Sindicato dos Peritos Oficiais do Amazonas (Sinpoeam), que ameaçava paralisação de suas atividades por melhores condições de trabalho e salário.

Em janeiro, a portas fechadas, foi realizada uma assembleia entre a categoria e o governo do estado na sede do Instituto Médico Legal (IML), local e ambiente sugestivo para quem queria a morte se o aumento salarial pretendido não vingasse. A categoria reclamava que estava há cinco anos sem receber reajuste.

Em fevereiro, a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE), graças ao fantástico consumo de café, não dormiu em serviço. Acolheu a proposta apresentada pelo governo de reajuste de 40% – percentual acatado por unanimidade pelos peritos – e aprovou a reestruturação remuneratória para peritos criminais da Polícia Civil do Amazonas, proposta votada na Casa – sabe-se lá por que – em caráter de urgência.

A nova remuneração entrou em vigor de forma retroativa, a partir de 1º de janeiro de 2018. Há aumentos salariais espetaculares como, por exemplo, o Vencimento de R$ 4.076,86 que, somado a Gratificação de Exercício Policial no valor de R$ 20.675,97, totaliza R$ 24.752,83. Um salto olímpico com direito a medalha de ouro para os peritos, sem dúvida.

O governo prometeu, ainda, promover adequações no prédio do IML e a digitalização dos processos de registro, ambos em 2018.

Há uma lenda urbana que diz ter havido muita “perícia” na tratativa da questão e celeridade na condução do processo de reajuste, sem razão para tal. Procedimento diametralmente oposto ao que ocorre com os professores agora. Evidentemente o impacto orçamentário e financeiro do reajuste salarial dos professores é colossal e requer discussão à exaustão. Mas o governo deveria ter previsto isso, quando autorizou, às pressas e por “amor à causa pública”, o reajuste dos peritos.
Agora provocou uma reação em cadeia, um efeito dominó – ops, dominó! – que exigirá muita perícia para contorna-lo.

Ah! Só pra lembrar, ontem à tarde representantes do Sindicado dos Funcionários da Polícia Civil do Estado do Amazonas – Sinpol –Am, reuniram-se com o bondoso vice-governador, para tratar do reajuste que a categoria postula. A categoria foi convocada para deliberar sobre os caminhos que trilharão na negociação, hoje, às 19h:00.

Vem chumbo grosso por aí.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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