Política 10 meses atrás

CONTEXTO POLÍTICO MERAMENTE ESPECULATIVO

Dos 513 deputados federais, estima-se que 84 não retornarão. Considerando que Artur Bisneto e Sabino Castelo Branco não deverão concorrer, quantos e quais dos outros seis atuais deputados federais se reelegerão?

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No dia 7 de outubro de 2018, os brasileiros irão às urnas escolher o novo presidente da República. Até lá aguardaremos o resultado do julgamento do ex-presidente Lula, relativamente ao tríplex do Guarujá, agendado para o dia 13 de fevereiro.

A maior parte das decisões do juiz Sérgio Moro – primeira instância – tem sido confirmada pelo colegiado de desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal em Porto Alegre, que compõem a segunda instância. As divergências ocorridas têm sido somente na dosimetria das penas. Se houver divergência caberá recurso para que esta seja uniformizada; se houver unanimidade, não. Entretanto, seja qual for o do resultado, Lula já estará enquadrado na Lei da Ficha Limpa o que o tornará inelegível, independentemente de qualquer recurso, já a partir da decisão do julgamento que se aproxima.

Segundo a Lei da Ficha Limpa, quem é condenado em segunda instância a partir de uma decisão colegiada, até a data de registro de sua candidatura, deve ficar impedido de concorrer às eleições; quem é condenado depois que o Tribunal Superior Eleitoral – TSE confirma o registro, consegue recorrer, mas pode ter a vitória eleitoral contestada. Bem, de qualquer sorte, essa discursão só terá lugar quando Lula pedir seu registro de candidatura, o que deverá acontecer até 15 de agosto de 2018.  

Nas eleições para o Senado Federal, 54 (2/3) – de um total de 81 – cadeiras estarão em disputa. Pesquisas indicam que 30 – podendo alcançar 35 – dos atuais senadores, não se reelegerão. Estariam Eduardo Braga e Vanessa Grazziotin entre os derrotados?

Dos 513 deputados federais, estima-se que 84 não retornarão. Considerando que Artur Bisneto e Sabino Castelo Branco não deverão concorrer, quantos e quais dos outros seis atuais deputados federais se reelegerão?

Nunca é demais lembrar que, infelizmente, renovação não é garantia nem sinônimo de boa qualidade.  Noves fora as exceções, mudanças por aqui urgem.

Todavia, o que mais anima e provoca o eleitor amazonense é a eleição para o governo do estado, então cuidemos.

Amazonino Mendes é governador do Amazonas há três meses. Elegeu-se a repetir um mantra que nada mais era que dever e obrigação de qualquer governante: amar a sua “querência”  (Amazonas) e arrumar a casa (contas públicas). Durante a sua campanha, muitos devem ter pensado: “apostarei na experiência do Negão, ele arrumará a casa em 15 meses e, ao fim e ao cabo desses meses, passará o bastão para outro”. Esses eleitores esqueceram que, quem tutano “ama”, é capaz de encher o osso com miolo de pão e devolvê-lo para a panela, só pra comê-lo outra vez.

É legítimo e natural que Amazonino queira postular o cargo nas próximas eleições – agora por quatro anos -, mas dessa vez enfrentará forças contrárias, que virão organizadas e fortalecidas em duas ou mais chapas.  

Ainda não há grupos claramente definidos, mas possibilidades. Há, por exemplo, partidos e políticos precisando se viabilizar, contudo, “colar” em Amazonino seria incoerente e kamikaze. Quer exemplos? Zé Ricardo e Praciano, ambos do PT; Luís Castro (Rede); Chico Preto (PNN); Serafim, Marcelo Serafim e Carlos Portta, todos do PSB, e, por que não? Até o PCdoB, de Vanessa e Eron.

Que candidatura majoritária aglutinaria tais partidos? Davi Almeida, que foi picado pela mosca azul e, até agora, tem mostrado ter couraça de teflon, pois nada nele adere? Rebecca Garcia (PP), que se apresentou como uma candidata “nova” na eleição para o mandato-tampão e superou as expectativas? Quiçá uma chapa com os dois?

Bem, exercício de futurologia é sempre arriscado e desmoralizante no curto prazo, mas a formação de um “chapão”, hoje, não parece especulação improvável, assim como ter  Rebecca na concorrida disputa para uma das vagas no Senado Federal.

Mas ainda faltam outros atores protagonistas, como os que apoiaram Amazonino e foram os responsáveis por seu sucesso na eleição deste ano: Artur Neto (PSDB) e Omar Aziz (PSD).   Ambos, diz-se, estão insatisfeitos com o “desvio da rota” de compromissos pactuados antes da eleição vitoriosa de Amazonino. Ou seja, se procedente for, tecnicamente os dois estarão juntos nas próximas eleições e as chances de romperem com Amazonino são bastante admissíveis.

Nesse caso apoiarão outro candidato e este não será Davi, nem Rebecca. Poderá ser um “novo” pretendente. Quem sabe Marcos Rotta, do PSDB de Artur? Se essa hipótese vingar, Sidney Leite, do PSD de Omar, por exemplo, potencial postulante a uma vaga na Câmara Federal, saltará do barco de Amazonino e seguirá com o grupo do senador Aziz, tendência que poderá ser seguida por Silas Câmara (PRB). O mesmo ocorrerá com Bosco Saraiva (Solidariedade) e, muito possivelmente, com Pauderney Avelino (DEM). Estariam esses dois a sonhar com o Senado da República? Evidentemente que, por esse prisma, Artur e Omar não disputariam as próximas eleições.

Finalmente Eduardo Braga, do PMDB, o partido que tem o maior tempo de televisão e Alfredo Nascimento (PR) com quem marchariam?

Bem, o primeiro, tem revelado ter blindagem de velcro, tudo nele gruda. Náufrago das últimas eleições para o governo do estado – ordinária e suplementar -, suas necessidades imediatas clamam por imunidade. Hoje, aparentemente, não lhe resta outra opção, se não voltar para o colo do “Negão”. Ao Alfredo e sua aspiração, também se afigura a mesma alternativa.

Se essa for a escolha de Alfredo, Marcelo Ramos permanecerá no PR? Se assim o fizer, terá chancelado sua carreira política com a marca da incoerência, maculará definitivamente o que pregou e desidratará brutalmente o capital eleitoral que conquistou nas eleições governamentais de 2014 e, especialmente, nas eleições municipais de 2016.

Tudo isso é mero exercício especulativo, mas que “daqui pra frente todo vai ser diferente”, disso não há dúvida. Se porventura as pedras do tabuleiro assim se movimentarem, Davi precisará de uma chapa para chamar de sua; Omar e Artur apoiarão um candidato “novo” e, Amazonino, precisará trocar as novas “palavras cruzadas” por velhas alianças descruzadas.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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