Manáuseas 7 meses atrás

Deus salve Manaus desse transito do caos!

Mais de 680 mil veículos entre carros, motos, caminhões e ônibus fazem o caos do transito de Manaus. Não há espaço para se movimentar e acidentes evitar. São ruas estreitas, mal planejadas, mal feitas.

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Acordei assim, meio cordel, meio menestrel, versando e rimando, sobre esse transito Babel com cheiro e gosto de fel.
Preliminarmente duas questões me vieram à mente: uma coisa é o motorista nacional, outra é o motorista local; uma coisa é uma cidade com transito sem vícios, outra é a Manáuseas do Vinícius. Rapaz, aqui não há paz!
Pesquisa realizada pela empresa “startup” foi destaque, especialmente em relação a enorme contradição. Os motoristas da capital, que dirigem muito mal, foram questionados e desmascarados. Disseram que 94% deles o trânsito desrespeitavam e 6% respeitavam. Mas, quando a mesma pergunta foi feita pra si, 89% disseram que sim, o transito respeitavam e, olha a confusão! Só 11% disseram não. Os motoristas da nossa cidade faltaram com a verdade.
Mais de 680 mil veículos entre carros, motos, caminhões e ônibus fazem o caos do transito de Manaus. Não há espaço para se movimentar e acidentes evitar. São ruas estreitas, mal planejadas, mal feitas. Grande parte da confusão, da Manáuseas turbilhão, decorre da própria cidade que, por descaso das autoridades, virou uma grande invasão.
Cinco mil novos veículos emplacados mensalmente chegam ao patamar do surreal, quase demente, logo, não tem rede viária que aguente. É mesmo assim, senhor, quando não se tem BRT, VLT nem metrô.
Um drama diário no tráfego viário. Sem alternativas bacanas para o transito desafogar, drama na mobilidade urbana e paciência para em casa chegar, especialmente nos horários de pico, coisa pra neurotípico.
Educação, paradas de ônibus, calçadas, sinalização e asfalto precisam melhorar. E, urgentemente, a fiscalização aumentar.
Interbairros tem escassas alternativas, com ruas estreitas ou sem saídas, restam as principais vias, congestionadas todos os dias, dificultando a circulação e causando enorme confusão. Assim, aumento exponencial de acidentes são episódios recorrentes. Djalma Batista, Autaz Mirim, Avenida Brasil, Constantino Nery e Max Teixeira as artérias das maiores queixas. Nessas avenidas estão concentrados e registrados, diariamente, índices alarmantes de acidentes.
Quando faixa de pedestres na rua há, fique atento, logo vai apagar. A tinta usada é inadequada, não resiste a pneus, chuvas e pisadas.
Melhor que o custo irrisório de pintar uma faixa amarela é faturar com uma passarela. Passarelas têm escadas ou rampas inclinadas e mal cuidadas, que te fazem cansar e pouco frequentar. Lá o bandido te esperará pra te abordar e te roubar.
Diante de tantas lambanças, surpreende o uso do sinto de segurança. Quando em janeiro de 85 aqui chegou, muitos pensaram: vixe, aqui não vai ter show! Pois se enganaram, vingou e tais bocas calaram.
A população grita “socorro, se não eu morro!” Onde estão os semáforos inteligentes que salvam a gente? E as vias alternativas que evitam fadigas?
Construíram um anel que pouco adiantou; desprezaram cruzamentos que o tempo piorou: Codajás e Marques da Silveira, na Zona Sul, em frente ao Colégio Militar, é exemplar, especialmente quando os pais vão seus filhos lá buscar. Aulas chegando ao seu final é certeza de engarrafamento descomunal.
A engenharia de trânsito daqui, muito original, primeiro opta por rotatória como solução final. Mas essa opção é só o embrião do futuro viaduto, que até desafoga, mas não resolve tudo. E quando é mal concebido, põem em baixo semáforo descabido.
Some-se a isso o motorista apressado, cansado, descompensado, que usa a pista da esquerda como se fosse a da direita e vice versa, aí barbariza a beça.
O nosso expresso é um extresso e os micro-ônibus não têm paradas. E as autoridades, fazem nada. Finalmente os moto-taxistas, esses malabaristas, dão um ponto final, nesta lista terminal.
Não há radares, não há orientação, nem mão ou contramão, há, sob qualquer ótica, uma engenharia de transito caótica. Mas quando o mês exato chegar, o IPVA tem que pagar.
Há excesso de veículos a circular na capital – 78,6% da frota estadual – e não priorização da mobilidade urbana, como parte da solução. Ora, isso corresponde a pedir que o vulcão entre em erupção.
E o que falar do ônibus convencional, esse necessário mal? É o nosso transporte coletivo principal, mas não atende a demanda total. A solução está na cara e é mais cara: o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) reduziria com sofrimentos e chorrilhos.
Com o texto chegando a termo, sobre um tema tão enfermo, desejo que as ações do Maio Amarelo, tragam resultados sem paralelo, que as pessoas consigam sensibilizar e atitudes possam mudar.
Mobilidade urbana e alternativas modernas de transporte levam um tempão e votos não dão. Dessa maneira, no curto prazo, vão para o saco do descaso. Assim fizeram muitos dos nossos governantes, os farsantes, prometeram mundos e fundos, projetos mirabolantes, depois, cinicamente – como mentem! – disseram não, e as promessas de campanha, viraram peças de ficção.
Deus salve Manaus desse transito do caos!

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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