Era uma vez... 6 meses atrás

É RUIM DA CABEÇA OU DOENTE DO ZÉ

(…)De pronto o menininho se destacou por duas particularidades: seu pendor para o magistério – era sabido que só – e a mania de beliscar mais que arara nova – não podia ver um pedaço de pão da merenda do coleguinha, que logo o surrupiava…

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Era uma vez…

No longínquo condado de Ipixuba, banhado pelo tenebroso mar Jurubá, viviam heroicos aldeões e camponeses. O futuro daquela gente era igual ao passado dos seus e o presente por eles vivido: a sobrevivência através da caça, da pesca, da extração do que a terra lhes brindava e das benesses do governo do rei da Bariceia.

Um dia dos idos anos de 1946, a aguerrida, sofrida e unida família Honey Olive, gente humilde e sem máculas, recebeu a visita da cegonha, que em seu bico trouxe uma criança do sexo masculino.

O varão chegou mirrado, mas com uma cabeça graúda, a indicar, segundo a crença do lugar, que um dia seria rei. Religiosos à beça, seus pais deram-lhe o nome de Joseph, o dos sonhos do livro de Gênesis. Seguindo o costume do lugar, Joseph logo foi apelidado de Joe.

De pronto o menininho se destacou por duas particularidades: seu pendor para o magistério – era sabido que só –  e a mania de beliscar mais que arara nova – não podia ver um pedaço de pão da merenda do coleguinha, que logo o surrupiava.

Sim, o menino passou por agruras durante sua infância, especialmente quando, por 40 dias, enfrentou tormentas em um minúsculo batr, no misterioso e serpenteante  mar Jurubá.

Precisando estudar e fazer valer as indicações da crença do lugar de que um dia seria rei, o menino Joe finalmente chegou ao Royal Center da Bariceia.

Sem chances na corte, vendia uma fruta exótica, vermelha, de origem sul-americana, o jambo ou  iamb, como era conhecido desde o seu condado até a realeza. Um dia, por razões nunca esclarecidas, nosso pequeno cabeçudo levou uma sova de uns meninos maus. Surpreendentemente, no dia seguinte, o genitor de um dos malvados meninos, pediu-lhe desculpas em nome do filho e o remunerou generosamente. Naquele dia Joe aprendeu duas  lições: “violência não leva a nada” e “de onde você menos espera vem um braço amigo”.

Joe começou a exercer diversas atividades profissionais, todas dignas, da mais simples até as mais importantes. Seguia sua saga, rumo a materialização da crença dos aldeões e camponeses de  seu amado condado de Ipixuba: o mirrado um dia seria rei.

Em uma escola do reino, especializou-se em administração econômica, escolha pertinente para quem tinha, desde a infância, na luta pela sobrevivência, aprendido a economizar. Depois se tornou mestre em Mitologia o que lhe rendeu o título de teacher.

E assim ele seguiu seu sacerdócio galgando os degraus para o qual, acreditava-se desde antanho, estava predestinado.

Passaram-se os anos até que um dia, quiçá por nunca ter perdido o hábito de “beliscar”, extrapolou e foi acusado de desviar recursos destinados pelas leis do reino, a atender a Educação. O lamentável episódio o marcou indelevelmente. Assim, Joe agregou um novo apelido para o apelido seu: Joe Lunch.

O tempo passou e agora Joe Lunch era vice-rei. Quatro anos mais tarde, finalmente, era coroado rei. Pronto, a crença tinha fundamento, o menino pobre, filho de camponeses agora era rei. God save de king!

No discurso de posse quebrou o protocolo: “Quis o destino que um filho de camponês do condado de Ipixuba, banhada pelo mar Jurubá, fosse empossado hoje, no teatro maior do reino da Bariceia”. Naquele momento solene, ao lado da agora rainha Miladylene Honey, prometeu fazer uso dos mais de 32 anos de conhecimento das carências dos longínquos condados da Bariceia. Houve choro e comoção, enfim chegara a vez dos desvalidos.

Suspeito de chegar ao poder corrompendo uns e outros súditos, Joe Honey foi destituído pela Corte da Bariceia, decisão confirmada pela Corte Suprema de Brasilis.

Acusado de desviar 50 milhões de “babitas”, agora da área da Saúde, foi preso quando descansava em seu castelo de inverno no condado de Black River of Eve, um sítio pra lá de aprazível, onde Joe Lunch teria  gasto, apenas para reforma-lo, com dinheiro  desviado dos cofres da Bariceia, 500 mil “babitas”. Segundo  pajens, cavalariços, menestréis, bobos da corte e camareiras  do reino, a pedido  Miladylene Honey.

A ex-rainha e o ex-rei, em uma atitude desesperada, tentaram, em vão, ocultar e destruir provas do esquema que desviou 50 milhões de “babitas”.

O ex-rei teria recebido 20 milhões de “babitas” em propinas de comerciantes do setor. Dinheiro que teria sido usada para a compra e reforma de um castelo de  7 milhões de babitas.

Bem, essa estória sem mocinho e mocinha, não termina por aqui, por ora o ex-pobre menino rico e sua dama foram humilhados em praça pública e estão presos. Por ironia maior, o “predestinado” está preso na masmorra que mandou construir.

Seus antecessores, com medo que ele e a ex-rainha deem com as bocas nas trombetas, se pelam de medo e mal conseguem dormir.    

Resumo da ópera bufa: quem de um condado distante sai, estuda, se mela com a merenda da educação e se borra pondo a saúde em coma, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou tem a doença do Zé.

The best and the de worst is yet to come (o melhor e o pior estão por vir).

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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