Economia 2 anos atrás

Economia

É possível sonhar com a recuperação da BR-319, mas enquanto essa rodovia federal não tem condições de trafegabilidade, restam-nos as estradas fluviais e o transporte aéreo que, aliás, registrou queda de 18% na movimentação de passageiros no Aeroporto Internacional de Manaus, em 2016, em cotejo com o ano de 2015.

compartilhar

Onde deseja compartilhar?

0 visitas.

ECONOMIA

Por: Delfim Furtado Campos

É possível sonhar com a recuperação da BR-319, assim afirmou o governador José Melo no final do mês de janeiro. Segundo ele, o sonho agora conta com apoio do governo federal e dos países vizinhos por meio dos Ministérios da Defesa. O esforço conjunto envolverá o Exército Brasileiro e permitirá que o trecho do meio – entre os quilômetros 250 e 655,7, sentido Manaus/Porto Velho, com 400 quilômetros da rodovia hoje intransitável – seja executado. Disse ainda que a BR-319 faz parte de um megaprojeto que está sendo compilado por especialistas e será lançado pelo governo federal. O megaprojeto beneficiará os estados que compõem a Amazônia, inclusive Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que hoje fazem parte da rota de entrada de drogas no país.

De acordo o comandante do Comando Militar da Amazônia CMA, general Antonio Miotto, a BR-319 faz parte da estratégia logística das ações do Exército Brasileiro e precisa ser recuperada. Ele garante que o Exército Brasileiro tem condições e aparato de engenharia para trabalhar na BR-319. “Nós temos condições de operar na BR-319, é só acionar o Exército Brasileiro. Nós temos dois batalhões que tem condições de trabalhar com a engenharia do Exército. Aqui na Amazônia todas as grandes rodovias federais, com exceção da BR-319 foram construídas em partes pelo Exército Brasileiro. Estamos em condições de operar”.

A conclusão da BR-319 também conta com o apoio do Ministro da Defesa, Raul Jungmann, que disse que verificará a possibilidade do Exército Brasileiro destacar seus batalhões de Engenharia para trabalhar na rodovia.

A ação conjunta internacional pretende, ainda, combater o narcotráfico nas fronteiras do Amazonas com a Colômbia, Peru, Venezuela e também Bolívia e Paraguai, através dos estados do Mato grosso e Mato Grosso do Sul.  

Nossa torcida é para que os ambientalistas e os especialistas em infraestrutura desburocratizem a questão e encontrem a solução para os impasses; que a controvérsia indígena destrave; que os recursos – orçamentários e financeiros- sejam liberados; que, finalmente, o trecho do meio seja recuperado; e que a BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e ao  resto do país, desempenhe o papel que dela há muito se espera.

Enquanto a BR-319 não tem condições de trafegabilidade, restam-nos as estradas fluviais e o transporte aéreo que, aliás, registrou queda de 18% na movimentação de passageiros no Aeroporto Internacional de Manaus, em 2016, em cotejo com o ano de 2015, segundo dados da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária). Em 2015, 3,2 milhões passageiros embarcaram e desembarcaram na capital amazonense, contra 2,6 milhões de no ano passado. Essa é uma má notícia, a boa é a projeção do aumento de 5% para 2017.

Quanto à movimentação de cargas, de janeiro a dezembro de 2015, esse número atingiu 124 mil toneladas; em 2016 foram processadas mais de 116 mil toneladas no Teca (Terminal de Logística de Carga), um recuo de 6%.

O governo federal divulgou as novas regras do programa social Minha Casa Minha Vida gerando expectativas otimistas entre os empresários da construção civil do estado. As medidas anunciadas mudam as regras para quem está enquadrado nas faixas de renda 1,5, 2 e 3. O reajuste foi de 7,69%. Para o enquadramento na primeira faixa, a renda total da família precisa ser de até R$ 2,6 mil. Antes, esse limite era menor, de R$ 2,35 mil. Já para os que se enquadram na faixa 2, é preciso ter uma renda de até R$ 4 mil, um aumento de R$ 400,00 – antes dessas mudanças, o limite era de R$ 3,6 mil. Para a faixa 3, o teto de enquadramento passou de R$ 6,5 mil para R$ 9 mil.

Os reajustes das faixas de renda e do limite de financiamento, de acordo com a classe patronal, devem resultar no crescimento de, pelo menos, 5% da mão de obra do setor, além da apresentação de novos empreendimentos. Estima-se que das 610 mil unidades previstas pelo programa para todo o país, 20 mil sejam construídas no Amazonas.

Ainda assim o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, lamentou o menor reajuste do teto do valor dos imóveis para o Amazonas. É que nas cidades das regiões Norte e Nordeste o teto passará de R$170 mil para R$180 mil e no Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro, o valor passará de R$ 225 mil para R$ 240 mil.

Em 2016 o setor contabilizou R$173 milhões gerados por lançamentos imobiliários, a expectativa para 2017 é que esse faturamento aumente. O que se espera é que as mudanças possam reduzir o índice de desemprego na construção civil do Amazonas, uma vez que, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2016 o saldo da construção civil foi negativo em 2.363 vagas, entre admissões e demissões ocorridas. Saldo negativo também verificado em 2015: entre as contratações e os desligamentos sumiram 2.847 postos de trabalho.

É alentadora a ascensão da produção de café no estado, os números da safra 2017 do grão apareceram, pela primeira vez, no Observatório Agrícola-Acompanhamento da Safra Brasileira de Café, que é um relatório de monitoramento divulgado pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A estimativa O governo federal é de que neste ano a produção da safra local registre 6,7 mil sacas de café, representando um crescimento de 11,7% em relação ao ano passado. Os representantes do setor agrícola do estado atribuem o crescimento numérico às melhorias tecnológicas e da inovação no sistema de cultivo. A despeito de ser uma notícia animadora, essa produção ainda não é suficiente para atender, sequer, a demanda estadual.

Do total de 2 milhões de sacas do grão produzidos na Região Norte, o Amazonas responde por apenas 6,7 mil sacas, estas provenientes de municípios da Região Sul do Amazonas: Apuí, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Envira, Humaitá, Silves, Barreirinha e Boca do Acre.

O grão cultivado no Amazonas é o da espécie conilon, uma variável que mais se adapta às condições climáticas e é mais resistente. O café produzido em Apuí pode ser encontrado nas prateleiras dos principais supermercados de Manaus, no próprio município de Apuí e ainda nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Rondônia. Atualmente, cerca de 4 mil produtores rurais atuam no manejo do café.

É a safra agrícola que alavanca a economia brasileira, infelizmente essa vocação nacional ainda é incipiente por aqui. Mas o ineditismo, apesar de tímido, de figurar no Observatório Agrícola-Acompanhamento da Safra Brasileira de Café, sem dúvida é animador.

Comente

sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

14717visitas.