Nota 3 anos atrás

Entre a santa e os “santos”

Quando pronto e apresentado ao público, um misto de emoção, alívio e embevecimento se apodera dos devotos. Aos adeptos de outras religiões, evidentemente, é um evento indiferente, como de resto é o Círio para eles.

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O manto que traja todos os anos a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, tanto nos festejos oficiais quanto nas doze romarias, é sempre envolto de mistério e expectativa pela maioria consagradora dos paraenses. Quando pronto e apresentado ao público, um misto de emoção, alívio e embevecimento se apodera dos devotos. Aos adeptos de outras religiões, evidentemente, é um evento indiferente, como de resto é o Círio para eles.

O manto carrega mensagem que, se almeja, seja compreendida como uma forma de evangelização. Este ano a doação anônima de um casal devoto da Naza, Nazinha, Nazica Nazoca ou Nazarezinha, como os paraenses carinhosa e intimamente a tratam, custeou os custos de confecção da peça. Tudo o que cerca o Círio chama a atenção pelo gigantismo, mas em tempo de delação premiada, “rouba” atenção a forma do patrocínio do manto.

Em 2014, o então candidato a presidência da República, Aécio Neves – que deveria ter ido ao Círio pedir proteção à santa -, recebeu doações declaradas. Entretanto, as delações premiadas, demonstraram que a prestação de contas do PSDB não correspondeu aos valores doados por Andrade Gutierrez e Odebrecht. Doações declaradas ou anônimas, pra santa ou “santos”, estão sempre envoltas a interesses.

Diferentemente de Aécio Neves, Temer, Dória e Bolsonaro estiveram em Belém pedindo bênçãos à santa e apoio aos “santos”.

A situação de Aécio é tão delicada, que dirigentes e parlamentares do seu partido (PSDB), vão cobrar sua saída definitiva da presidência do partido. Querem que ele saia assim que o senado conclua a votação sobre o seu afastamento do cargo, pois o desgaste por ele provocado – acusações de corrupção, pedido de afastamento do senador pelo STF e cumprimento de recolhimento noturno em casa – nem Nossa Senhora de Nazaré pode salvar.

A última pesquisa publicada pelo instituto Datafolha mostra que o deputado Jair Bolsonaro, com 17% das intenções de voto no primeiro turno, se consolidou em segundo lugar na corrida eleitoral para a Presidência da República. A sua frente aparece o ex-presidente Lula, com 35%. Se o provável impedimento do petista ocorrer, as chances de o deputado vir a ser presidente do Brasil são reais. O regime democrático é assim mesmo, ou já esqueceram – guardadas as devidas proporções – que temor, desconfiança e entusiasmo eram o que envolvia a expectativa do mundo quando Lula despontava como candidato vitorioso em 2002?

Há dois tipos de arrastão no Brasil, os que assaltam nas praças, ruas, shoppings e praias e o realizado pelo Arrastão do Pavulagem, em Belém do Pará. Este ocorre há 18 anos e é um  cortejo que colore a paisagem do Centro Histórico de Belém no segundo sábado de outubro e espera, com a multidão que se aglomera nas ruas, a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré da Romaria Fluvial para homenageá-la.

Aos “santos” há um salve-se quem puder; à santa, um salve rainha!

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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