Entrevistas 2 anos atrás

Entrevista com Durango Duarte

Entrevista com o empresário e publicitário Durango Duarte. Possui oito livros publicados. Em Dezembro de 2014, lança um blog para expor suas ideias, publicar pesquisas, acervo histórico, vídeos eleitorais, dentre outros conteúdos.

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Em 1990 ele começa a desempenhar um trabalho embrionário de pesquisas de opinião pública, em parceria com os professores do Departamento de Estatística da UA, trabalho de pesquisa informal que se estendeu até a eleição de 1992. Em 13 de julho do ano seguinte, ele funda a Perspectiva Tecnologia da Informação que se notabiliza por ser a única empresa de pesquisa a acertar todos os resultados eleitorais no estado do Amazonas. Em 2009, ele cria a The Voice Mídias Integradas, empresa especializada em painéis e plataformas de LED, entre outras soluções de comunicação visual e publicitária. Em Dezembro de 2014, lança o Blog do Durango para expor suas ideias, publicar pesquisas, acervo histórico, vídeos eleitorais, dentre outros conteúdos. Em 2015 a Perspectiva passa a utilizar a denominação “#PESQUISA365 Informações Inteligentes”. Apaixonado por história, especialmente da capital amazonense, em 10 de agosto de 2015, funda o Instituto Durango Duarte (IDD), uma instituição sem fins lucrativos e sem caráter político-partidário, o qual dispõe de uma unidade de informação especializada nas áreas de Ciência Política e de História contemporânea de Manaus, do Amazonas, do Brasil e dos países de língua portuguesa. Sua inauguração acontece dia 15 de abril de 2016. Já são oito livros por ele publicados.

Minha primeira entrevista é com o gaúcho de Santa Maria, o empresário Durango Martins Duarte. 

Blog: Durango, antes de te tornares empregador, tiveste alguma experiência como empregado?

Durango: Sim, mas é preciso contextualizar. Em 24 de fevereiro de 1988, saí do PCdoB, partido que estava filiado desde setembro de 1982. Fui o terceiro a romper por enormes divergências ideológicas e pelo comportamento do principal dirigente do partido. O primeiro a se afastar foi o atual senador Omar e, o segundo, o agrônomo Chrysologo Rocha de Oliveira, então secretário de Propaganda do partido. Em março de 1988, Omar, colega do curso de Engenharia Civil, convidou-me para colaborar com o trabalho que ele já vinha desenvolvendo com o então governador Amazonino, na extinta Fundação para o Desenvolvimento e Apoio Comunitário – FUNDAC. Omar se desincompatibiliza do cargo de Diretor Executivo para ser candidato a vereador e assumo em seu lugar. A FUNDAC era uma instituição que exercia, em sua plenitude, a assistência social, foi uma experiência na qual conheci, de perto, o assistencialismo tradicional prestado pelo poder público. A Fundac talvez tenha sido a precursora das políticas de assistência social. Lá fiquei até dezembro de 1988 e nunca mais exerci nenhuma outra função pública. Foi o primeiro e único emprego que tive.

Blog: E quando começa a tua trajetória empresarial?

Durango: No início do ano de 1990, George Tasso, Chrysologo, Aílton Luiz Soares e eu, decidimos fundar uma empresa especializada em consultoria e marketing político. Constituímos a Amazonpol, que atuou nas eleições de 1990 e 1992, com três produtos: telemarketing, pesquisa e apuração paralela dos resultados das eleições. Provavelmente tenha sido a primeira experiência empresarial no campo do marketing no Amazonas.

Blog: E quando começa a tua carreira solo?

Durango: Bem, cada um seguiu o seu caminho, eu fui o único a permanecer com a mesma proposta. Assim, em 13 de julho 1993, fundei a Perspectiva, atual #PESQUISA365, que completa no ano que vem, 24 anos de atuação ininterrupta.

Blog: Então as pesquisas sempre estiveram presentes na tua trajetória profissional?

Durango: Sim, no ano de 1990, através da Amazonpol, contratamos um grupo de professores do departamento de estatística da Universidade do Amazonas, para realizar as pesquisas eleitorais da eleição de 1990, entre eles o professor Irapuan Pinheiro, Ademar Teixeira e professora Rosana Parente. As pesquisas foram publicadas no jornal A Crítica, com acerto total. Novamente em 1992, já com outro grupo de profissionais, nos inserimos a realizar pesquisas de opinião nas eleições municipais na capital e no interior do estado, novamente com extremo sucesso. Daí em diante, naturalmente, surge a Perspectiva. A empresa seguiu vários caminhos, fez quase todos os tipos de pesquisa de mercado, atendendo os mais diferentes segmentos, no campo do comércio, prestação de serviço e construção civil. Não só atuamos no Amazonas, fomos contratados e desenvolvemos trabalhos de pesquisas em São Paulo – incrível, né? Imagina, uma empresa de Manaus conseguir prestar serviço na praça mais concorrida do país! Na região Norte atuamos em todos os estados. Nossa carteira, nosso histórico, nosso background e, consequentemente, nosso know-how é extremamente respeitável.

Blog: Quantas empresas de pesquisa atuam em Manaus?

Durango: Não tenho a menor ideia, existe muita picaretagem no mercado. Nessa última eleição apareceram especialistas que não passariam na sabatina de tabuada.

Blog: Tu já deves ter respondido essa pergunta diversas vezes, mas nunca é demais perguntar. O que realmente aconteceu na eleição de 2014? Tu apostaste em quem ganharia a eleição? E qual foi o resultado da tua pesquisa naquela eleição?

Durango:  Eu já fiz um texto muito didático e elucidativo sobre esta questão, pode ser lido, na íntegra, no link http://blogdodurango.com.br/o-que-importa-e-destruir-e-nao-construir .

O blog transcreve um trecho do texto publicado no blogdodurango em 22/09/2016: […] “De 1994 a 2012, estive no panteão dos notáveis, era o cara das pesquisas eleitorais, dos números, das análises; demandado por todas as correntes políticas e pelos principais segmentos empresariais.

Há dois anos, ainda no primeiro turno da eleição de 2014, me atribuíram um erro que não cometi. Desconsideraram que o meu último estudo publicado, se deu quase duas semanas antes daquela eleição. Ora, em duas semanas mudanças ocorrem, e ocorreram de forma avassaladora. Tanto que Melo se elegeu governador no segundo turno com uma vantagem imprevisível.

O que houve de errado? Não publiquei mais uma rodada, aquela às vésperas da eleição, a que retratava a realidade efetiva.

Em junho daquele ano, quando o cenário era outro, aceitei uma aposta. Errei ao apostar, perdi e paguei.

No segundo turno da mesma eleição, minha empresa foi a mais precisa de todas as empresas do ramo, mas pouco importava naquele momento. O que interessava, para muitos, era destruir a minha reputação, arruinar completamente a minha qualificação profissional. Paguei e ainda pago o preço de uma aposta perdida, não de uma pesquisa errada. […]

Blog: E o que pensas sobre as empresas de ocasião, aquelas que surgem durante as eleições e depois somem?

Durango: Só há duas empresas de pesquisa em Manaus que, ininterruptamente, atuam no mercado: a Action, do professor Afrânio Soares e a nossa. Todas as outras empresas, tirando o período eleitoral, não atuam no mercado, não atendem nenhum cliente relevante da iniciativa privada, não possuem estrutura e nem equipe técnica permanente.

Blog: Desde de 2009 tu és proprietário da The Voice. Por que constituíste essa empresa? O que ela representa e quais são teus planos nesse segmento?

Durango: O Led é uma atração à parte, veja o caso da Time Square, em Nova Iorque. É da minha natureza os desafios do empreendedorismo com as novas tendências, a The Voice representa isso.  Nosso projeto está consolidado e, dependendo do cenário econômico de 2017, há uma possibilidade de ampliarmos nossa operação.

Blog: Recentemente tu investiste em um terceiro segmento empresarial, a franquia Red Baloon, uma escola de inglês. O que te fez apostar nesse mercado?

Durango: No ano que vem Red Ballon completará três anos. Temos uma maravilhosa equipe de profissionais que está colaborando na formação de uma geração de crianças e adolescentes no domínio do inglês. É uma grande franquia nacional pertencente, atualmente, ao grupo Abril. É um projeto cujo retorno empresarial é de médio para longo prazo. Estou profundamente satisfeito com esse novo desafio.

Blog: Em 2015, tu me convidaste para ser signatário da carta de fundação do IDD, como tal, sei dos objetivos da instituição. Como está o Instituto?

Durango: Aproveito, de imediato, para convidar seus leitores a conhecer as instalações do Instituto Durango Duarte. Nossa proposta é de contribuir com a história de nossa cidade, através de múltiplas inciativas. Acredito que ao navegar no site http://idd.org.br/   o internauta  compreenderá e, provavelmente, ajudará nesta iniciativa.

Blog: O primeiro livro por ti publicado foi “Informação é Tudo”, que está relacionado ao mundo da pesquisa eleitoral. Foi a partir dele que surgiu a ideia de publicares outros livros?

Durango: Na eleição de 2004, um dos candidatos, por uma questão meramente pessoal, tentou carimbar que nossa empresa teria errado o resultado da eleição. Uma grande inverdade! Uma verdade é que temos muitos canalhas na política. Aquela foi uma eleição recheada de detalhes que ora davam a vantagem para um, ora para outro: acusaram o candidato vitorioso de ter um filho de uma relação extraconjugal, o caso Soraya, teve a questão da denúncia do IPTU do outro candidato e a Operação Albatroz, muito semelhante a recente Operação Maus Caminhos, que mudou a tendência de resultado da eleição 2016. O título escolhido para o primeiro livro não foi à toa, o meu cliente sabia que perderia a eleição por todos os erros que insistia em cometer, por isso “Informação é Tudo”. O livro serviu para mostrar o que estava acontecendo nos bastidores e indicar que o amadorismo é uma chaga de certas personalidades.

Blog: E quais são os títulos das tuas outras obras?

Durango: As obras estão disponíveis nos site: http://idd.org.br/instituto/durango-duarte-biografia. São oito livros publicados, entre autorais e não autorais. Em fevereiro de 2017, faremos o lançamento do livro Crônica de Manaus, uma transcrição dos primeiros artigos do jornalista Josué Claudio de Souza, em 1946. O Caso Delmo são transcrições de dois jornais da época e de duas edições da revista O Cruzeiro, esse trabalho teve a sua edição esgotada.  O livro que eu tenho como referência, esse sim, autoral, é Manaus Entre o Passado e o Presente, o qual, em 2018, deverá ser relançado devidamente revisado, ampliado e atualizado. Outro livro que me encanta, não pelo conteúdo literário, mas pelo acervo iconográfico, é Manaus 343, um trabalho de visualização da cidade de Manaus, através de fotos aéreas. A ideia e lançar, anualmente, pelo menos um livro, agora através do IDD.

Blog: Depois de tantos anos fazendo e vivendo política, passa por tua cabeça algum projeto político ou mesmo atuar no setor público?

Durango: Minha militância política começa no início dos anos 80. Ora, passados mais de trinta e cinco anos, tendo todas as oportunidades de conviver, como ainda convivo, com o universo político sem nunca ter atuado com a preocupação de ser candidato ou assumir um cargo público, não me parece prudente dar essa guinada. Sou muito mais produtivo e feliz atuando do outro lado do balcão. Fora isso, é preciso ter voto, e isso é uma coisa que eu não tenho (risos). A atividade pública neste país é um pântano de corrupção e ineficiência, não vale à pena.

Blog: Qual é a tua relação com os políticos e a política do Amazonas?

Durango: Eu lutei pela redemocratização do Brasil, pelas Diretas Já, pela democratização da Universidade, pelas causas estudantis entre tantas outras reinvindicações, essencialmente passei esses trinta e cinco anos envolvido com atividade político-administrativa e, posso afirmar, que todos os políticos, sem nenhuma exceção, são inconfiáveis para uma amizade saudável. No dia a dia da atividade política, o que mais se dá valor são a bajulação e a subserviência. Nossos políticos preferem os estúpidos em detrimento da competência e da inteligência. A política amazonense é feita de traições e de um cinismo sem igual. Não existe escrúpulos. Em resumo: é um mundo muito pouco higienizado. A qualidade da maioria dos políticos é muito ruim.

Blog: Mas a qualidade é ruim porque o eleitor é o responsável pelas escolhas ou o que se nos oferece não é de boa qualidade?

Durango: Da mesma maneira que não temos quadros suficientes para atuar na gestão pública, também não temos lideranças saudáveis e preparadas intelectualmente para exercer cargos e funções parlamentares e executivas. A sociedade civil amazonense é frágil e excessivamente dependente do erário. A juventude que milita atualmente, só funciona movida a dinheiro e nomeações para cargos públicos, estão todos viciados com as piores práticas. Assim sendo, não há a menor perspectiva de renovação na política amazonense. O eleitor está fadado a ter que escolher entre o pior e o muito pior.

Blog: Qual é o legado que os governos municipais e estaduais poderiam deixar para os seus governados e não deixaram?

Durango: Lúcio, os administradores, invariavelmente, optam pelos menos competentes para serem seus auxiliares. Os melhores quadros, e são poucos, do setor privado e das Universidades, não estão presentes nas máquinas administrativas. A burocracia, os processos internos, e a baixíssima capacitação dos servidores públicos, são intocáveis. Os modelos de gestão, tanto no governo do estado quanto na prefeitura de Manaus, estão ultrapassados em, pelo menos, quatro décadas. O maior passivo destes modelos se explica ao se adentrar numa Unidade de Saúde, ou ao demandar um serviço na segurança pública.

Blog: Consideras que teus projetos estão definidos?

Durango: Nunca! O grau de necessidade de fazer mais é uma obsessão, creio que a expressão que está no portão do Cemitério São João Batista “LABORUM META” cabe para a minha pessoa. Ou seja: só irei parar no último trabalho.

Blog: Há coisas que nos irritam enormemente. O que te causa irritação?

Durango: A burrice e a covardia. A primeira porque é expansiva, constante e contagiante; a segunda, porque apunhala, agride gratuitamente… na verdade essa não me irrita, essa me causa decepção com o ser humano.

Blog: Há algum fato na tua vida que te incomode ou que te deixe em situação desconfortável? Alguma ferida aberta?

Durango: O sucesso não é bem aceito e/ou digerido na sociedade Baré. Eu sou um Workaholic com resultados concretos de sucesso. Isso causa invejas e rancores extremos de alguns indivíduos, aliás, até acredito que um ou outro tenha desejos homossexuais em relação a minha pessoa (risos). Assim, sou atacado por um psicopata e difamado por canalhas juramentados. Entretanto, possuo desapego ao rancor e ao ódio. Não tenho feridas abertas.

Blog: O que te faz feliz?

Durango: Lúcio, sem estabelecer uma ordem: viajar e conhecer o mundo, sempre com a ótica voltada para a história, tenho fixação por museus, igrejas, cemitérios e monumentos, e isso ultimamente eu tenho feito com frequência. A outra é pesquisar documentos, jornais, fotografias da história de Manaus e do Amazonas.

Blog: Durango, fica à vontade para alguma consideração final?

Durango: Lúcio, nós temos uma relação de amizade de quase trinta anos, estou feliz que tu tenhas me escolhido como o teu primeiro entrevistado, da longa lista de entrevistas que farás. Desejo que o teu projeto consiga se consolidar, tu és um cara de caráter e que utilizará o espaço para divulgar as melhores informações, as mais qualificadas e com extremo respeito à dignidade das pessoas. Usa a tua autenticidade nesta empreitada e conta comigo sempre.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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