Entrevistas 2 meses atrás

ENTREVISTA COM EDSON GIL COSTA

Chegará a hora em que os veículos de comunicação terão que pensar em algo assim. Onde já se viu TV por assinatura [portanto paga por quem assiste] ter comercial? Você assina para ver programas, não comerciais.

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Ele é paulista de nascimento e amazonense por adoção e lá se foi 2/3 de sua existência vividos na terra de Ajuricaba. É casado, pai de duas filhas [Angelina e Ana Eliza, nome da mãe e das avós materna e paterna, respectivamente], 61 anos de idade e tem a comunicação a correr nas suas veias, segundo ele, herança de família, pois seu pai que era radialista, jornalista correspondente da Folha de São Paulo e A Gazeta Esportiva, foi também gerente da Rádio Piratininga de Votuporanga, Ondas Médias. A música, forma de arte que ele tanto gosta e admira, também é uma herança paterna. Seu pai foi cantor de conjunto musical de bailes e um grande seresteiro. A herança se materializa através de seu irmão Edmar, prematuramente falecido em 5 de novembro de 2017, que trabalhou em rádio de Votuporanga, Ribeirão Preto [ambas em São Paulo] e, posteriormente, Manaus.
Nosso entrevistado de hoje é o publicitário e administrador de empresas, Edson Gil Costa.
Blog – Edson, como e quando vieste para Manaus?
Edson – Primeiro eu preciso contextualizar. Meu irmão Edward veio na frente, com 17 anos, em 1968, para cursar medicina. Edmar, o mais velho, veio em 1969, fugindo da repressão causada pelo regime militar e para “cuidar do irmão mais novo”, como sugeria “o velho Costa”. Edmar era então presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia em Ribeirão Preto [SP] e transferiu o seu curso para a UA [Universidade do Amazonas]. Eu cheguei em 1976, após transferir meu curso de Comunicação de uma faculdade particular da capital de São Paulo para a mesma UA. Edmar começou em Manaus trabalhando na Rádio Tropical, hoje Rádio Cidade, e posteriormente foi para a Rádio Difusora, onde fez muito sucesso com um programa criado por ele, que varava noite adentro, chamado ”Corujão da Madrugada”.
Blog – Lembro muito bem desse programa que tinha enorme audiência. Mas como surge a Oana?
Edson – Pois é. Por causa dessa sua atividade radiofônica (referindo-se ao irmão Edmar Costa) precisava de uma agência que intermediasse a “corretagem” da publicidade do seu programa de rádio, para que pudesse ser remunerado por seu trabalho. Ele e Jacob Luiz de Figueiredo tinham criado a OANA, que na realidade não era bem uma agencia de propaganda – a sigla significava Organização e Administração e Negócios do Amazonas Ltda. -, sem dúvida um nome bem pomposo. O objeto social da empresa contemplava um leque enorme de finalidades, “inclusive” fazer publicidade e propaganda. Essa foi a maneira que Edmar encontrou para resolver a questão de sua remuneração. Depois (eles) criaram uma imobiliária. Posteriormente Jacob saiu da agência e ficou com a imobiliária e Edmar assumiu a agência, que não parou mais de crescer.
Blog – Mas por que para cá vieste e há quantos anos és publicitário?
Edson – Eu estava muito bem São Paulo, trabalhando no Departamento de Marketing de um grande banco brasileiro quando o Edmar resolveu me chamar. A princípio relutei, mas acabei vindo. Agora são quase 45 anos de profissão e publicidade é a única coisa que eu fiz profissionalmente na minha vida. Sou formado em Relações Públicas, porque aqui não tinha o curso de Publicidade e Propaganda. Posteriormente fiz Administração de Empresas. Sempre digo que tive a felicidade de trabalhar naquilo que estudava e de estudar naquilo que trabalhava. Há quinze anos sou presidente da ABAP – Associação Brasileira de Agencias de Publicidade, Amazonas, o que me permite manter um bom relacionamento com outros profissionais de outros estados e trabalhar em prol da atividade em nosso estado. A ABAP é uma entidade com muito peso no segmento e realiza encontros nacionais pelo menos quatro vezes por ano. E está sempre como protagonista nas importantes discussões que se travam sobre o nosso negócio.
Blog – A Oana começou no endereço do conjunto Adrianópolis?
Edson – Não, a Oana já teve quatro endereços anteriormente, três no centro da cidade, depois no Parque Residencial Adrianópolis [que de residencial hoje praticamente não tem mais nada], onde ficamos por quase trinta anos, e atualmente no Cristal Tower, Sala 106, grudado no Manauara Shopping.
Blog – A Oana dedicou-se exclusivamente ao mercado amazonense ou fincou seus pés além-fronteiras?
Edson – Esta é uma história que começou meio como uma piada, mas que se revelou o grande “case” da agencia, em seus 48 anos de existência. Em 1979, o Edmar estava em um avião indo para São Paulo, com escala em Porto Velho, e coincidentemente no voo estava o coronel Jorge Teixeira de Oliveira, que havia sido prefeito de Manaus. Em sua gestão na PMM a Oana fez alguns trabalhos pontuais [decoração natalina do centro da cidade, ornamentação da Av. Eduardo Ribeiro para os desfiles de Carnaval, etc.], numa época em que a publicidade em Manaus, pelo menos na esfera pública, não era muito organizada. Isso aconteceu nos idos de 1977/1978. Sem alarde, o coronel deixava a prefeitura de Manaus, pois havia sido nomeado governador de Rondônia. Uma coisa impressionante e que ainda hoje ao lembrar, me arrepio, foi ver a multidão de garis no aeroporto Eduardo Gomes, indo se despedir do Teixeirão. Os garis praticamente ocuparam todos os espaços do aeroporto Eduardo Gomes – lá não havia uma única autoridade sequer. É aquela história, não era mais prefeito, e rei posto… Ele era adorado pelo povo manauara, notadamente o funcionalismo público das esferas mais baixas. Já no avião, Edmar, que havia assistido aquela cena, dele se aproximou. O Teixeirão contou-lhe que havia recebido uma missão do presidente da república, João Batista de Figueiredo. Era desejo [e para o Teixerão uma missão] do governo militar, transformar o território em estado. Os territórios brasileiros eram assim loteados: Rondônia era administrado por um militar do Exercito, Roraima da Aeronáutica e o Amapá da Marinha. Àquela altura o Acre já tinha se elevado a categoria de estado. Teixeirão seria o experimento-piloto, que se desse certo, o mesmo seria feito com os outros dois territórios. A perspicácia de Edmar viu naquela informação uma oportunidade singular. E perguntou ao coronel: “Coronel, o senhor se deu conta do que aconteceu no aeroporto de Manaus? O senhor recebeu uma demonstração espontânea do povo, espetacular. Se e eu fosse o senhor eu começava a registrar tudo o que o senhor fizer em Rondônia, desde o começo, para mostrar para a posteridade a transformação”. Ao chegarem ao aeroporto de Porto Velho, coincidentemente foram juntos ao banheiro. Naquele lugar e não haveria mais outra chance, Edmar se aproximou novamente e ouviu do futuro governador: “Corujão [assim Teixeirão o chamava], eu gostei daquele negócio que você falou, vamos fazer o seguinte: eu tô chegando, agora não dá, né? Volta aqui daqui a um mês, um mês e meio, porque até lá já serei conhecedor da situação”. Edmar aceitou na hora. E assim começou a história da Oana em Rondônia, com contratação e execução de serviços por notória especialização.
Blog do Lúcio – Então foste muitas vezes a Porto Velho?
Edson – Lúcio, não lembro quantas vezes fui para lá, algumas dezenas de vezes a trabalho e algumas, prazerosamente, apenas para fazer seresta no Cajubi, conjunto habitacional militar onde o Teixeirão morava. A turma do Bar Caldeira [que ele adorava], de Manaus, também ia, mas cada qual por sua conta.
Blog do Lúcio – Eram bons os contratos com o governo? O que fizeram por lá? Ficaram lá por quanto tempo?
Edson – Sim, os contratos eram bons, mas era tudo muito romântico… Eram outros tempos. Para o novo estado [criado em 22 de dezembro de 1981] criamos praticamente tudo: a bandeira, o brasão, gravamos o hino oficial com arranjo do maestro Chiquinho de Moraes [à época o mesmo de Roberto Carlos], criamos todos os logotipos necessários para Banco do Estado [BERON], Caderneta de Poupança, Universidade do Estado, Codaron… Tudo. Lá ficamos por pouco mais de quatro anos. Para que você tenha uma ideia, na primeira eleição direta acontecida em Rondônia, a Oana contribuiu para a eleição dos oito deputados federais e os três senadores, também para a maioria na Assembleia Legislativa e Câmaras Municipais de todos os municípios [capital e interior]. Lá tivemos três jornais diários, dois arrendados e um fundado em Ji Paraná. Também tivemos duas rádios na capital [Cairi, em AM, e Parecis, FM]. Rondônia é um case único, um aprendizado fantástico e que jamais será repetido na propaganda brasileira. Com essa campanha ganhamos os principais prêmios da publicidade brasileira da década de 80.
Blog – Teixeirão tinha a fama de bom gestor.
Edson – O Teixeirão foi responsável por uma coisa genial. Quando o território foi transformado em estado, ele conseguiu com o Delfin Neto [à época o “czar” da economia brasileira], que todos os funcionários que existiam no antigo território, continuassem na folha da União, mesmo trabalhando na estrutura do novo estado. Ou seja: o estado começou com despesa de pessoal igual a zero. Todos nós sabemos o que significa a folha de pagamentos do funcionalismo público, basta acompanhar o peso que ela representa hoje na Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso por um período de validade de vinte anos. Tempo para que o estado se estruturasse para assumir essa despesa. Roraima e Amapá pediram isonomia, pegaram carona e devem isso a ele.
Blog – A Oana atuou em marketing político?
Edson – Sim, em Manaus atuamos fortemente em marketing político, de 1978, até 2006. Praticamente todos os políticos de expressão que hoje disputam a eleição, já passaram pelos corredores da agencia.
Blog – E no marketing esportivo?
Edson – No marketing esportivo a grande cereja do bolo foi o Antônio Pizzonia. Reginaldo Pizzonia, pai do jungle boy, entrou no escritório da Oana carregando duas sacolas de supermercado. O conteúdo era uma quantidade enorme de recortes de jornal e fitas VHS. Quando entrou na sala do Edmar disse que queria contar uma história de um garoto assim, assado, que ganhou o campeonato paulista de kart, e no ano seguinte novamente, e outra vez [ ele foi tricampeão] mesmo enfrentando boicotes, e bateu recorde da pista … Depois foi campeão brasileiro; bicampeão brasileiro. É verdade tudo isso? Indagou Edmar. É, respondeu Reginaldo, tá tudo aqui, e danou-se a mostrar o material que levara. E prosseguiu: “O menino é um fenômeno, mas ninguém acredita nisso quando eu falo que ele é meu filho”. Até então ele ainda não havia dito que o Antônio Pizzonia era seu filho. E Reginaldo prosseguiu: “A questão é que depois de tantas conquistas ele tem que ir pra Inglaterra [considerada o berço do automobilismo e da Formula 1], aqui já deu o que tinha que dar e eu já gastei o que eu podia. O patrocínio da Antárctica [Odilon Andrade era o gerente geral da Cervejaria Manaus] ajudava, mas não era suficiente para bancar todos os custos. Era verba local, não nacional.
Blog – Caramba! E o que Edmar fez?
Edson – Edmar ligou para o Nasser Fraxe da Equatorial [postos de combustíveis] e marcou um encontro, mas pediu que Reginaldo deixasse as sacolas com o material do filho que era um geniosinho. Nasser se encantou com a história e com os dividendos que do garoto prodígio poderiam advir. “Mas eu tenho um sócio, disse Nasser, o Saul”. Aquela era uma parceria improvável, mas perfeita, entre um judeu e um árabe. Saul concordou que o projeto Pizzonia era algo fantástico, mas logo disse: “não pensa que isso vai ficar só no custo que vocês estão supondo – a essa altura a planilha já tinha sido feita – não, isso aí é só o começo da conversa. De nada adianta patrocinar o cara lá, tem que ter o cara aqui. O carro estamparia a logo da Equatorial lá, mas aqui ninguém veria. A Equatorial vende gasolina aqui e não lá”. Apesar da correta ponderação de Saul, a logomarca da Equatorial desfilou nas pistas europeias, com o Antônio ganhando tudo o que é corrida que via pela frente. E muitas ações e campanhas com o piloto foram realizadas em Manaus.
Blog – Qual a participação da Oana no Festival Amazonas de Ópera?
Edson – Um dia de 1997, aparece um alemão chamado Michael Jelden no Teatro Amazonas, querendo falar com o maestro do coro do TA, o Zacarias Fernandes. O cara falava um inglês de nível elementar, quase nada se entendia e ainda misturava com alemão. A única coisa mais nítida que se podia depreender era a palavra ópera. O maestro passou a bola para o Eduardo Monteiro de Paula, o Dudu, que era da TV Amazonas. Lá o Dudu leva o alemão até a sala do Edmar, na Oana. Nesse momento o alemão passou a repetir insistentemente o nome Fitzcarrald. O alemão era violinista dos bons e, assim como seu conterrâneo, também tinha o sonho de realizar uma ópera na Amazônia. Bem, o muro de Berlim havia caído, o número de músicos desempregados nos países da chamada “cortina de ferro” era grande, e então não haveria dificuldades em lotar um avião com todos os artistas e desembarca-los no Teatro Amazonas, trazendo cenário, figurino, cantor, orquestra e o que mais fosse necessário.
Blog – Puts! E o que o Edmar fez?
Edson – Pegou o telefone e ligou para o Marcílio Junqueira, um amante da música clássica e contou a história para o diretor da CCE. Marcílio abraçou a ideia e garantiu uma cota. Mas, ainda era preciso mais um patrocinador, e lá eles recorreram novamente a Saul Benchimol, não menos apaixonado por música clássica. Bem, a Fogás deu o ga$ que faltava. Pronto, estava viabilizado o primeiro Festival Amazonas de Ópera, que estreou no dia 7 de abril do mesmo ano no Teatro Amazonas e que contou com a presença do então presidente da república, Fernando Henrique Cardoso. Projeto todo nascido dentro da Oana. É necessário dizer que a Oana também precisou entrar com uma cota de patrocínio.
Blog – Então o alemão se deu bem?
Edson – Sim, tanto que no ano seguinte ele retornou, agora com mais tempo, fez uma escala no Rio de Janeiro e lá conseguiu o patrocínio da Credicard e outras grandes empresas nacionais, só que os contratos eram exclusivamente dele. Nós, entusiasmados, julgávamos que essas empresas bancariam o segundo evento, triste ilusão. O alemão daqui só queria três coisas: dinheiro, nova oportunidade e uma cunhã que ele levou com ele. Ele deu uma pernada geral e se escafedeu. A conta, lógico, ficou para os corajosos empresários publicitários daqui.
Blog – Mas o festival não parou.
Edson – O Amazonino [governador Amazonino Mendes] gostou da ideia e resolveu criar a Filarmônica de Manaus. Trouxe de São Paulo o conhecido maestro Júlio Medaglia [dos grandes Festivais de MPB] que fez a publicação de um Edital nos jornais da Europa solicitando envio de curriculuns, para posterior seleção, de músicos do Velho Continente. Junto com Medaglia veio um cidadão de nome Kleber Antônio Papa Silva, um diretor e produtor de óperas em São Paulo, que era dono da empresa São Paulo Imagem Data em sociedade com a sua esposa, Rosana Caramaschi. A ideia era ele assumir a direção do festival. Esse profissional eu conheci ainda em São Paulo quando morava lá e trabalhava no departamento de marketing do Banco Itaú [1975], na área de publicidade, como eu já falei anteriormente. Lá eu era o responsável pelas malas diretas do Itaú, uma época em que computador não existia. As cartas eram redigidas por mim e depois datilografadas em máquinas Olivetti elétricas de esfera. Eu tinha 18 anos de idade e assinava todas as cartas emitidas pelo banco. O Cleber Papa ocupava a mesa ao meu lado. Ele dirigiu o Festival por dois anos, depois disso o Robério Braga e a SEC assumiram a produção e direção.
Blog – E quando a Oana sentiu a crise do mercado de publicidade?
Edson – Em 2011 a Oana sentiu os efeitos da crise, a empresa tinha uma estrutura gigantesca, e perdeu parte da clientela da área pública, que chegou a representar 60% – nas três esferas governamentais – da carteira de clientes da empresa. Também tivemos perdas de clientes da iniciativa privada, problemas com funcionários da casa, que saiam e levavam o cliente consigo. Em 2014 esse quadro se agravou. Tínhamos capacidade para atender grandes contas, mas já não as tínhamos. Chegamos a ter 58 funcionários diretos, depois caiu para 20 e poucos, 18 e hoje nossa estrutura comporta 14 profissionais.
Blog – Então por isso a Oana saiu do endereço do Conjunto Adrianópolis?
Edson – Não era só o tamanho da casa, mas o formato das empresas desse segmento mudou, antes éramos agencia e empresa de produção cine/vídeo.
Blog – Mas por que a Oana tinha produção cinematográfica?
Edson – A Oana [fundada no dia 5 de Maio de 1970 – Dia Nacional das Comunicações] é anterior a TV Ajuricaba, o primeiro canal aqui instalado. Se aqui não tinha TV imagina produtora de serviços especializados como filmes, jingles, fotolito, etc.? A facilidade de importação com os incentivos da Zona Franca nos permitiu trazer equipamentos e produzir material para os nossos clientes. Era uma época de muito varejo – Bemol, T Loureiro, C.O. , Café Manaus, Calam [açúcar Tuxaua] -, e nós nos desenvolvemos porque não existia fornecedor no mercado. Eu costumo dizer que um braço da empresa era Popey – uma robusta produção – o outro era o braço normal – a criação e atendimento da agência. Além de equipamentos completos para gravação, tínhamos ainda estúdio, ilhas de edição e toda a parafernália necessária. Com o tempo isto passou a não ter mais necessidade, não só por causa da perda de alguns clientes, mas porque o mercado começou a oferecer serviços mais baratos, alguns executados até mesmo por ex-funcionários da agencia.
Blog – Então vocês tiveram que se adequar aos novos tempos?
Edson – Sim a modernização e compactação dos equipamentos profissionais ocorriam de forma tão alucinada que já não justificava ter mais a estrutura que tínhamos. Veja bem, Lúcio, hoje em dia o bom administrador, uma coisa não deve fazer: imobilizar o seu capital. É exatamente o que os bancos fizeram. Com as vendas dos seus imóveis eles se capitalizaram ainda mais e empregaram o que angariaram com a venda, no seu negócio, que é emprestar dinheiro. Nunca é demais lembrar que a publicidade é uma atividade de prestação de serviço, onde o capital da agencia [cerca de 70%] entra e sai pela porta principal da empresa todo santo dia, que é o seu quadro de pessoal.
Blog – E como foi essa mudança? E o acervo da Oana?
Edson – Foi um dos momentos mais estranhos que eu tive na minha vida, em praticamente um mês tive que pegar o que tinha distribuídos em 700m² e acomodar em 120m². Pegar 48 anos de vida da empresa e trazer para um espaço físico onde nitidamente não caberia. É uma hora cruel você colocar no cesto de lixo tantos trabalhos. E quando se trata de equipamentos, como fitas, acervo, mais de três mil fitas de comerciais, o emocional entra em cena. Você quer preservar aquilo, mas já não existem mais equipamentos pra reproduzir e nem transformar aquilo. É até possível encontrar em São Paulo, mas é caríssimo. Adianta ou interessa ficar com comerciais feitos em 1983, 1984? Tive que ser pragmático e para o novo espaço trouxemos apenas o essencial.
Blog – E o que não veio para cá ou foi descartado?
Edson – Alugamos um depósito onde ainda guardo muita coisa, mas até quando ficarei com esse custo? A gente tem que se desapegar. Hoje 80% dos vídeos que você vê no ar são feitos com banco de imagens a um custo irrisório. O único risco é o outro anunciante comprar a mesma imagem e dela fazer uso.
Blog – Tu tens conhecimento de que essa situação já ocorreu e o banco de imagens realmente reduz os custos?
Edson – Sim, já aconteceu em lançamentos imobiliários, mas é um detalhe que o consumidor não liga. Ora, Lúcio! Antes a gente tinha que contratar um fotógrafo, um produtor, uma agência de modelos, tinha o teste de fotografia para o cliente, muito trabalho e um custo muito alto. Agora você pega dez imagens no banco de imagens [na internet] apresenta para o cliente e ele decide. Se por acaso ele não gostar da cor da camisa, vai-se para o photoshop e muda a cor da dita cuja. E sabe quanto isso vai custar para o cliente? Cinco ou dez dólares. Além disso, algumas atividades profissionais também desapareceram. Mas, para muitos negócios muita coisa mudou de vinte anos para cá, para muitos segmentos empresariais. Veja as agencias de viagens, por exemplo.
Blog – Como assim?
Edson – Há vinte anos se tinha regras de mercado, regras de relacionamento com o cliente e os veículos, ancorada na legislação, a Lei 4.680/65. Houve a desregulamentação desta lei em 1997 [governo FHC] e partiu-se para a negociação livre entre as partes [agencias e anunciantes], o que ficou uma loucura, até que surgiu o CENP – Conselho Executivo das Normas Padrão da Atividade Publicitária -, que cuida das relações comerciais entre os envolvidos no negócio da publicidade, ou seja, define as “regras do jogo”, uma vez que já não se tem mais a tutela da Lei a definir os parâmetros da remuneração. Mas para estar “regular no mercado” e fazer jus a remuneração definida nas Normas Padrão, a agencia tem que obter do CENP – Conselho Executivo das Normas-Padrão – um Certificado de Qualificação Técnica. A Oana, em meio de mais de 7.000 agencias em todo o Brasil, foi a primeira a se certificar, em 1988. Esse é um troféu que é nosso, só nosso. Nós somos chamados no meio de “Agencia nº 00001 do Brasil”. Sempre fomos muitos éticos no nosso negócio e corretos na condução comercial. Tudo é discutido e entendido com o cliente.
Blog – O que é mídia off-line e mídia online?
Edson – Mídia off-line é a mídia tradicional – propaganda na TV, rádio, jornal -, é off porque você produz o material e envia para ser veiculado a posteriori, ou seja, tem um tempo no meio de tudo isso que tem que ser considerado. O do jornal, por exemplo, são 24 horas. Você irá ver amanhã o que foi noticia ontem. A mídia online é ao contrário, é a internet. Você dá o “enter” e ela invade a tua tela [computador, tablete, smartphone], instantaneamente. E não é para um local só, é para o mundo. Apesar disso a mídia online não é a solução de todos os problemas da comunicação, porque nela, não há fidelidade. Entretanto, a mídia online passou a ter um papel muito importante e relevante no processo da comunicação.
Blog – Por que agora é Oana Comunicação e não mais Oana Publicidade?
Edson – Essa foi mais uma mudança, além da mudança de endereço. Esta é mais uma tendência das agencias, especialmente depois da questão digital. O termo “Comunicação” ao invés de Publicidade ou Propaganda é mais abrangente, não só pela inclusão nos serviços prestados da mídia digital, mas de operação como, por exemplo, em promoção, assessoria, consultoria, situações em que não necessariamente você faz publicidade. Lúcio, uma empresa não é anunciante, ela está anunciante. A empresa pode, por exemplo, adotar a filosofia de divulgar seus produtos baseada em promoção, aí fecha parceria com pontos de venda, monta ali um stand com uma promotora de vendas [supermercados, mercados] e distribui degustação do produto. Agindo assim, não faz uso da publicidade nos meios tradicionais de comunicação porque seu elemento de contato com o publico, é a promoção de vendas. Não é, portanto, um anunciante. É cliente da agencia, mas não é anunciante.
Blog – Qual o maior prazer do publicitário?
Edson – É ver sua ideia exibida em um veiculo de comunicação, não importa se é impresso, se é no rádio, televisão ou mídia online. Uma ideia só é uma ideia publicitária a partir do momento que outros veem se não, é apenas uma boa ideia que ficará guardada numa gaveta. E isso só existe se houver a veiculação, uma boa ideia para o publicitário é aquela que consegue ser viabilizada e, claro, que dá resultado. Se ganhar prêmio, melhor ainda.
Blog – Qual é o diferencial que a Oana em relação à concorrência?
Edson – Depois de 48 de estrada… Idade nunca é vantagem pra ninguém, a não ser que você traduza isso para algo palpável e interessante. Hoje a Oana tem uma estrutura tradicional – mídia off – que a gente domina há muito tempo, tem o núcleo dentro da agencia que trabalha na mídia online, dedicada a isso. Esse mix interessa ao mercado. E onde é que entram os 48 anos? Estar nesse processo desde o começo lá em 70, virar as páginas da história, viver cases e mais cases de sucesso e também de fracassos, me juntar com um time novo, tudo isso faz a gente se reinventar o tempo todo. Eu acredito que a participação da Oana num atendimento em concorrência com outra [agência], tem o diferencial que a gente já teve muito tempo pra errar – e errou muito. Então, as chances de errar hoje são menores, porque em algum momento do passado nós já vivemos situações que podemos passar para o nosso cliente. Isso às vezes se traduz no atendimento quando eu falo com o cliente e relembro de uma situação muito parecida que eu já tive e encontrei uma solução surpreendente na época. Isso já aconteceu. Isso é uma vantagem, ao mesmo tempo em que a gente está sempre se atualizando. É verdade que o turn over hoje é maior, mas não deixa de ser salutar, pois isso significa sangue novo na casa. Aqui, o único dinossauro sou eu!
Blog – Existe falta de ética nesse segmento?
Edson – Hoje não se tem mais a segurança da lei que se tinha antigamente. Hoje, a coisa está na base da negociação. Funciona mais ou menos assim: quem compõe o tripé da publicidade? Anunciante, veículo e agência [e podemos também incluir aqui as empresas prestadoras de serviços especializados]. Lá atrás, quando a publicidade brasileira se organizou, por ocasião do I Congresso Brasileiro de Publicidade [1959], existia um pacto de relacionamento, o chamado “pacto da prosperidade”. E que pacto era esse? O anunciante, que é sempre quem paga a conta, pagava a conta para o veículo de comunicação, que por sua vez repassava parte do que ele recebia, a título de desconto, para as agências. Era assim que funcionava. Isso era um pacto. Mas ninguém fazia isso gratuitamente ou porque era bonzinho. Fazia por um motivo muito simples: a agência tinha que estar bem preparada e bem estruturada para atender bem o cliente/anunciante, porque, como disse anteriormente, uma empresa não é necessariamente um anunciante, ela pode passar a vida toda sem anunciar, mas para o veículo, só interessa a empresa anunciante. Então, o veículo precisa ter anunciantes para ser livre e sobreviver; e empresa anunciante só é anunciante se estiver sendo bem atendida e obtiver bons resultados. Por esse motivo, e pelo pacto, o veículo de comunicação pegava um pedaço da receita obtida e repassava para a agencia se estruturar para bem atender o anunciante, que por sua vez anunciava naquele veículo porque tinha o alcance para falar com seu publico e aí se criava um círculo virtuoso. Simples assim. Ninguém estava dando nada, as pessoas estavam se entendendo e defendendo seus legítimos interesses. Esse elo se quebrou com a desregulamentação da Lei, já citado anteriormente. Hoje a negociação é direta entre o anunciante e a agencia. Nessa tratativa a parte mais fraca é a agencia. E tem anunciante que acha que agencia recebe o indevido ou que ela não merece, ou negocia simplesmente pela força da grana… O anunciante diz: eu vou te pagar tanto, se não quiser tem outro que pega. Essa relação não é só na propaganda, em outros segmentos também. A questão são as consequências que advém destas relações predatórias… Mas você ainda tem empresas anunciantes de temporada, que têm prazo de validade, e aí, essas querem tirar o máximo que puder.
Blog – E como se tira o máximo que puder?
Edson – Baixando o custo e as despesas com a comunicação a todo o momento e a todo o custo. Tem outra coisa. Há muitos anunciantes que fazem o seguinte: no departamento de marketing eles praticam o que a gente chama de “juniorização do marketing”, ou seja, contratam um profissional recém-formado, com mestrado, etc., e lhes a dão como missão, por exemplo, a redução de 30% nos custos. O Departamento de Marketing tem um grande fornecedor [que centraliza vários serviços] que é a agencia, aí começa uma guerra sem fim. E tem mais, depois de pouco tempo esse profissional é demitido ou transferido e no seu lugar é colocado outro jovem para negociar de novo.
Blog – Edson, o que é o Ganhe na Tela?
Edson – É uma startup do qual faço parte, junto com outros sócios. Entrei nessa seara até para eu entender, Lúcio, esse novo momento digital… Comparando aqui com o vinho, às vezes as pessoas me perguntam: Edson, o que eu faço para entender de vinho? Minha resposta é simples, digo-lhes que tem dois caminhos que não são excludentes, pelo contrário, são indissociáveis: estudo e litragem.
Blog – Explica isso melhor.
Edson – Isso significa que se você só estudar o assunto [vinho], você muito provavelmente saberá o que está bebendo porque você estudou, mas certamente não saberá diferenciar o conteúdo dessa taça de vinho para a próxima que eu vou te servir [nosso papo foi regado a vinho da melhor procedência]. O cara sabe que é vinho, mas não sabe diferenciar um vinho do outro. Se por outro lado você só beber e não estudar, você certamente vai saber a diferença de uma taça para a outra, mas também não saberá o que está bebendo. Esse exemplo serve para o Ganhe na Tela. Não adianta eu querer vender digital, falar de digital, se eu não vivo o mundo digital. Eu posso não possuir Facebook, Instagram e assim não ter vida nas redes sociais, mas eu tenho que entender como isso funciona. O GnT [Ganhe na Tela], no qual estou envolvido particularmente, é um aplicativo para telefone celular…
Blog – E como tu entraste nessa empreitada?
Edson – No começo dessa startup, quando ela tinha pouco mais de 7.000 usuários, eu fui convidado para participar do grupo societário e eu topei, entrando com o meu expertise, que é o conhecimento do mercado publicitário. Esse não é um aplicativo de serviço, ele é voltado para o mercado publicitário, com a possibilidade real de comunicação on line.
Blog – Explica melhor.
Edson – O Ganhe na Tela é diferente, é um aplicativo voltado para o mercado da comunicação, voltado para a publicidade, que é uma área que eu entendo um pouco. É um veículo de comunicação, sendo um misto do off-line com o online. Com ele é possível pegar uma peça adaptada do off-line e publicar no online. É um veículo de comunicação que remunera o usuário que assiste. O Ganhe na Tela é uma ideia revolucionária.
Blog – Por que é uma ideia revolucionária?
Edson – Porque nesse processo todos ganham. Ganha o emissor [o cara que manda a mensagem] porque ele está falando, divulgando para outrem o que lhe interessa; Ganha o meio [no caso o GnT], também ganha, porque está cobrando para levar a mensagem. E o cara mais importante do processo, o receptor, ou seja, o consumidor, também ganha porque o GnT repassa à ele um pedaço do que ganha para levar a mensagem. O app é revolucionário porque hoje o consumidor não ganha pecuniariamente nada, ganha no máximo a informação. Ocorre que com a quantidade de informação que todos nós recebemos o tempo todo, em tempo real, a gente passa a ser seletivo. O resumo disso é o que ocorre na TV: quando ela no intervalo da programação apresenta o comercial, você assiste se quiser, se não quiser, muda de canal, vai navegar nas redes sociais, etc. O Ganhe na Tela quebra essa relação passiva por parte do receptor, ele veio para mudar isso. O aplicativo tira um pedaço do que ganha e distribui com o usuário, simples assim. E cá entre nós, tudo o que o usuário do telefone celular precisa, é ter crédito para se conectar e se comunicar.
Blog – Mas há o risco do usuário ganhar sem assistir a peça publicitária?
Edson – Não, é preciso assistir ao anuncio por cinco segundos, se não, o usuário não ganha nada.
Blog – Então no futuro próximo o formato hoje vigente terá que se adequar?
Edson – Eu acredito muito nisso. Chegará a hora em que os veículos de comunicação terão que pensar em algo assim. Onde já se viu TV por assinatura [portanto paga por quem assiste] ter comercial? Você assina para ver programas, não comerciais. E aqui vou falar algo muito polêmico: o assinante não deveria ser obrigado a ver propaganda a não ser que fosse remunerado por isso. Essa relação, para mim desigual, terá que ser resolvida, para o bem de todos.
• Observação do Blog: para que eu tivesse uma ideia do quanto o aplicativo está sendo acessado – ainda sem campanha publicitária de divulgação do próprio aplicativo que certamente daria muito mais visibilidade a ele – Edson me mostrou uma tela do Google Analytics e lá registrava um milhão setecentos e setenta e oito mil usuários que visualizaram mais de 1bi e 500 milhões anúncios. Os números são espetaculares: média de três a quatro mil novos usuários por dia que hoje acessam o aplicativo, de todo os cantos do Brasil – mais de 3.600 municípios nos 27 estados da federação. Ah! O aplicativo é 100% amazonense e existe há pouco mais de 2 anos.
Blog – Edson, o que é o Berçário?
Edson – Berçário é o lado visível, palpável e real de uma coisa que a gente [Edson e Sandra, sua esposa] criou e que só existia no mundo virtual.
Blog – E quando teve início?
Edson – Fazíamos o Chez Berçário, eu e Sandra. Já viajamos muito para Flórida para fazer compras para a Loja Sandra Santos, isso numa época em que o dólar estava lá em baixo, e por lá íamos muito a restaurantes. Até que Sandra desabrochou para a culinária e se encontrou com as panelas como ela mesma diz. Então, comecei a fotografar a comida e os rótulos dos vinhos que acompanhavam a refeição que ela fazia. No início eu desconhecia as Listas de Transmissão, e compartilhava as fotos no WhatsApp [prato, garrafa do vinho que harmonizava e texto] para cada um dos amigos da minha lista de contatos. Já imaginou o trabalho que isso dava?
Blog – E por que o nome Berçário?
Edson – É aquela história… Parece que refeição e vinho nasceram juntos, um para o outro, se encontraram portanto, no berçário, essa é a filosofia do negócio. Porque realmente nasceram juntos, é a história do vinho e a comida da mesma região. Se a comida é espanhola é bom que seja acompanhada por um vinho da região, entendeu? Vendo e curtindo isso, minha filha caçula Ana Eliza teve a ideia de criar um Instagram. “Berçário” era o nome, mas como a coisa acontecia em casa, ficou “Chez” Berçário. Para a existência e permanência do perfil no ar, a única exigência que fiz era que fosse algo absolutamente institucional e focado no assunto harmonização enogastronomica, ou seja, que nenhuma outra informação fosse dada sobre o nosso endereço, sobre o local onde a harmonização acontecia, evitando-se também fotos de pessoas, lugares, animais de estimação, etc. O foco era um só: a comida e o vinho. Começou no Instagram e pessoas começaram a seguir [hoje já tem mais de 2.600 seguidores].
Blog – Cresceu mesmo.
Edson – Sim, e foi um crescimento espontâneo, sem impulsionamento. Com o tempo fui me aprimorando na elaboração dos textos, das fotos e criei um padrão. Hoje temos mais de 1.000 posts registrados, o que significa, sem repetição, de mais de mil pratos e vinhos diferentes, degustados pelo casal.
Blog – O Berçário é um restaurante com proposta tradicional?
Edson – Bem, um dia viajei, quando eu cheguei Ana Eliza me informou que o apartamento do Vieiralves, que estava em desuso – localizado nos fundos da Loja Sandra Santos – seria transformado em restaurante, até arquiteto elas já tinham contratado. A principio eu levei um susto, mas depois resolvi participar do projeto emprestando a ele meus conhecimentos adquiridos no Chez Berçário.
Blog – Como funciona o negócio?
Edson – Não pode ser uma coisa aberta ou nos formatos tradicionais, a proposta tem que preservar os princípios do Chez Berçário, que é a refeição harmonizada, a enogastronomia. Modulamos de forma a preservar tudo o que sempre curtimos e praticamos na intimidade. No Berçário os encontros acontecem apenas com oito pessoas e funciona somente para almoço às sextas-feiras e sábados, com grupos pré-agendados. Se não fechar o grupo, não tem Berçário.
Blog – E qual é o cardápio?
Edson – São, em média, apresentados oito cardápios com harmonização da comida e o vinho. Entrada, primeiro prato, segundo prato e sobremesa incluídos. Seis garrafas de vinho no total [duas para entrada, duas para primeiro prato e duas para o segundo prato]. Não é cobrada água mineral [à vontade], café Nespresso e tampouco Taxa de Serviço.
Blog – Isso te escravizou?
Edson – Pelo contrario, eu resolvi não só o meu problema e o de muita gente que quer almoçar em petit comitê. Oito pessoas, sempre serão as pessoas que lhe são caras. Um grupo pequeno e fácil de organizar e reunir. O negócio está engatinhando, mas não temos pressa. Neste caso o prazer, a dedicação e a convivência em harmonia é o principal. Nunca é demais lembrar que no Berçário você come literalmente na cozinha da casa com a “Chef” cozinhando ao seu lado. Tudo fresco e preparado na hora.
Blog – Valeu a pena ter trocado São Paulo por Manaus?
Edson – Se você fizesse essa pergunta alguns anos atrás, possivelmente a resposta seria mais rápida, mas eu estou descontente com Manaus nos últimos anos, não só pela questão profissional, porque isso são contingencias do processo natural dos negócios. Estou aqui já tem 2/3 ou mais da minha vida, eu sei como eu cheguei aqui financeiramente, intelectualmente e profissionalmente e fisicamente, eu sei como estou hoje. Financeiramente não posso me queixar, profissionalmente melhorei, sem dúvida, espiritualmente também. Conhecimento também, porque tenho convicção que evolui como ser humano, sou uma pessoa melhor e procuro me manter saudável e feliz pois adoro viver. Mas Manaus, como em muitos locais do Brasil, piorou como cidade, ela nesses poucos mais de 45 anos não foi bem cuidada. É triste, mas é a realidade. Mas valeu a pena ter vindo pra cá. Aqui conheci pessoas fantásticas e convivências extremamente prazerosas como é o caso do CDF – Clube dos Discófilos Fanáticos -, um bando de caras que adoram curtir música e dividir conhecimentos, do qual participo há quase 20 anos. Tem também a Barraca do Bixiga, um grupo fantástico de voluntários que se entregam gratuitamente a realizar um belíssimo trabalho em prol da APAE-AM e pra quem a Oana é a agencia de propaganda voluntária há mais de 10 anos.
Considero-me um paulista de nascimento que constituiu uma família feliz no Amazonas. E tenho o prazer de morar num dos lugares mais bonitos do mundo: eu tenho a felicidade de tomar o café da manhã olhando o rio Negro. Mas como eu disse, o problema é o entorno, Lúcio.

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Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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