Manáuseas 11 meses atrás

MANAUS CONTINUA SENDO O BAIRRO MAIS DISTANTE DO RIO DE JANEIRO

O cotidiano da minha cidade é um filme de violência e horror. As causas são conhecidas: desemprego, drogas, criminalidade desenfreada, miséria, fome, insegurança, deseducação, leis brandas, impunidade, falta de planejamento e de programas de políticas públicas de segurança, descontrole do estado nos presídios, poder público incapaz de enfrentar essa calamidade social, bandido como vítima da sociedade…

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O cotidiano da minha cidade é um filme de violência e horror. As causas são conhecidas: desemprego, drogas, criminalidade desenfreada, miséria, fome, insegurança, deseducação,  leis brandas, impunidade,  falta de planejamento e de programas de políticas públicas de segurança, descontrole do estado nos presídios, poder público incapaz de enfrentar essa calamidade social, bandido como vítima da sociedade…

Por obra e graça do aumento da criminalidade e da sensação de insegurança, vieram o medo de sair de casa, de namorar na praça, de ficar nas paradas a espera de ônibus, de desconfiar  de qualquer pessoa que se aproxima,  de conversar na porta de casa e até de ficar em casa.

Os furtos e assaltos são feitos à mão armada e em todas as zonas da capital, daí se explica o aumento da procura por armas no comércio local. As invasões também aumentam essa sensação de insegurança em áreas devastadas, onde os moradores do entorno são obrigados a conviver com os novos “vizinhos”, que andam armados em plena luz do dia.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), apenas nos dois primeiros bimestres deste ano, Manaus registrou nove casos de roubos e furtos a condomínios. Também é comum tiroteios em bairros em áreas de confronto, quando há rachas entre facções. Sim, facções, as facções criminosas por aqui fizeram morada.

O clima de insegurança vivido diariamente pelos funcionários das empresas de transporte coletivo de Manaus já causou protestos dos rodoviários, com paralisação de linhas. Não podia ser diferente, considerando o número de assaltos com vitimas esfaqueadas ou baleadas. Depender do transporte público coletivo é correr risco de ser vitima de assalto diariamente.

Com o aumento dos índices de carros e motos roubados, na capital, a opção por serviços de rastreamento tornou-se popular. A busca por essa tecnologia aumentou 30%, mais ou menos. O que não surpreende, uma vez que de 15 a 20 roubos são registrados diariamente.

Diante desse triste quadro e “cansada de esperar que a justiça seja feita e os criminosos sejam punidos, a sociedade gera fatos transgressores, como surtos coletivos por uma desordem pública e social”, disse o psicólogo Isaac Oliveira, sobre a onda de linchamentos e agressões que ocorrem nas ruas de Manaus.

Nos anos 1970 e 1980, eu costumava dizer que Manaus era o bairro mais distante do Rio de Janeiro. É que o Manauara é apaixonado pelos times cariocas, pelo samba, pelo o sol, por férias no Rio; quando pode, até compra imóvel lá; há, ainda, similaridades no bom humor e, convenhamos, na preferência pela moda carioca, dentre outras. Só não me era possível prever que, passados quase meio século, a principal similitude viesse a ser a violência.

É só ler os jornais. Qual a diferença entre a prisão de um foragido do regime semiaberto que responde por latrocínio, tráfico de drogas e furto em Manaus, e a prisão de um foragido do sistema penal do Rio de Janeiro, que tinha condenações por tráfico de drogas e associação para o tráfico internacional de drogas? Ou uma vendedora ambulante que vende “canetas ungidas” para candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Manaus, e uma vovó presa no Rio, cujo prontuário registra 33 passagens por crime de furto, estelionato e ameaça?

Manaus continua sendo o bairro mais distante do Rio.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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