Opinião 1 mês atrás

O INDIGESTO HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO

(…)Muitas vezes são caricatos, na maioria das vezes não passam qualquer credibilidade. São vídeos que convidam o ouvinte ou telespectador, a desligar os seus aparelhos de rádio ou televisão. Uma pobreza de marré deci…

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Desde a última sexta-feira (31/08) está de volta o indigesto horário eleitoral, iguaria insípida e inodora, que nos será empurrada goela abaixo até o dia 4 de outubro.
As segundas, quartas e sextas-feiras se apresentam os candidatos ao senado – duas vagas -, candidatos a deputados estaduais e a governador. São sete minutos, nove minutos e nove minutos, respectivamente, para cada cargo em disputa. As terças, quintas e sábados é a vez dos candidatos a presidente da República e deputado federal, 12 minutos e 30 segundos para cada cargo. O horário das transmissões no rádio é às 7h e 12h e, na TV aberta, às 13h e 20h30min. E pensar que o período da propaganda foi reduzido de 45 para 35 dias antes do pleito, a partir das eleições municipais de 2016.
Mas, o azedo pacote não para por aí. De segunda-feira a domingo, na TV, ainda são reservados 70 minutos diários, na forma de inserções de 30 e 60 segundos, para a propaganda gratuita – das 5h da manhã à meia-noite -, ficando essas (inserções) a critério do partido político ou coligação.
Os marqueteiros, contratados a peso de ouro, insistem em gerar conteúdos repetitivos, parecidos e recheados de apelos emocionais. Tentam, com escasso sucesso, apresentar os seus clientes com caras de bons samaritanos. Isso tudo com didática sofrível. Mostram seus clientes (candidatos) em formato quadrado, sem criatividade, sem inovação ou dinamismo. Muitas vezes são caricatos, na maioria das vezes não passam qualquer credibilidade. São vídeos que convidam o ouvinte ou telespectador, a desligar os seus aparelhos de rádio ou televisão. Uma pobreza de marré deci.
Esses profissionais repetem o cansado modelo que prevê vãs promessas e mirabolantes e imediatas soluções para tudo, inclusive para o assustador desemprego, é aquele mesmo blá blá blá de sempre – o que já fez e o que fará- , só conversa fiada, papo da boca pra fora, caô de candidato cara de pau.
Como se isso não bastasse, há um monte de candidatos fichas sujas e outros tantos que assim ainda não foram rotulados, mas que não resistirão ao tempo, às novas etapas da Lava Jato – excluem-se aí os calouros e uns poucos veteranos.
A enganação não fica só nos candidatos, o horário eleitoral em rádios e televisões que se diz gratuito, não é. Isso confunde o eleitor, que desconhece que são dadas isenções de impostos às emissoras, uma dedução fiscal de cerca de 80% do que seria obtido pelas rádios e TVs com venda publicitária de espaço. A estimativa do governo federal para este ano, é que deixarão de entrar nos combalidos cofres públicos, cerca de R$ 1 bi. Essa generosa compensação está prevista na legislação brasileira desde 1995, ano em que o governo “foi convencido” que as emissoras perdiam audiência, por isso mereciam o beneficio fiscal. As emissoras agradecem.
No senado, algumas propostas estão em discussão, a propor o fim das propagandas eleitorais na TV e rádio. Tomara que prosperem, esse excesso de marketing eleitoral é pernicioso, pois contribui para manipular o eleitor desavisado.
Ontem mesmo fiz uma singela enquete com amigos, para captar o quanto a propaganda eleitoral lhes influenciava. É evidente que a enquete não obedeceu critérios técnicos, o que apresentaria um resultado distorcido, mas o que ocorreu foi que a maioria esmagadora não presta atenção – alguns até revelaram que assistiram aos dois primeiros dias, só para avaliar se seriam diferentes das campanhas anteriores – , a regra foi que o tempo destinado à propaganda eleitoral, é chato, ridículo e pobre. Quem tem TV paga, muda de canal, quem tem TV aberta, desliga ou tira o volume do aparelho.
O Instituto Sensus fez uma pesquisa nacional na qual avaliou diversos graus de influências que atuam sobre o voto do eleitorado na hora da escolha política. Eis o resultado: em primeiro lugar aparece o nível de conhecimento prévio (39%); em segundo, vem a propaganda eleitoral (22,5%); depois debates na televisão (19,3%); ficaram em último o contato pessoal (2,4%) e notícias na Internet (1,0%).
Sem sombra de dúvidas 22,5% decide uma eleição. Nesse percentual estão, em sua maioria, eleitores desinformados, presas fáceis para os marqueteiros que bem sabem como emprenha-los ou convence-los pelos olhos e ouvidos, esse é o papel deles, o do candidato é ser um bom ator.
O horário eleitoral “gratuito” é algo que precisa ser repensado e reformado, ou mesmo encerrado.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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