Sô Cutruco 5 meses atrás

O Oráculo do Sô Cutruco

Um passarinho me falou que o governo que cuida do Amazonas com “amor” é um dos patrocinadores do Peladão 2017, procede? Se positivo, é
correto usar recursos públicos para favorecer a empresa de comunicação Calderaro, responsável pelo evento?

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PERGUNTA 1 – Boa tarde, Sô Cutruco! Um passarinho me falou que o governo que cuida do Amazonas com “amor” é um dos patrocinadores do Peladão 2017, procede? Se positivo, é correto usar recursos públicos para favorecer a empresa de comunicação Calderaro, responsável pelo evento? Antônio Fernando Braga de Araújo, bairro Parque Dez.

Sô Cutruco – Não foi um passarinho, senhor Araújo, foi o Diário Oficial do Estado quem deu publicidade, no dia 18 de dezembro de 2017. Bem, quanto a sua pergunta, devo dizer-lhe que sim, é legal o governo do estado do Amazonas ou o governo de qualquer esfera patrocinar  eventos. Neste caso, entretanto, o que causa perplexidade são a extemporaneidade, a inexigibilidade do procedimento licitatório, o objeto da proposta e seu valor.

O campeonato agora chamado de Peladão Brahma (esta certamente uma patrocinadora) começou em setembro e ainda não terminou, todavia, somente no fim de dezembro o governo confirmou a “cota de patrocínio”. A inexigibilidade de licitação, senhor Araújo, se refere aos casos em que o gestor não tem a faculdade para licitar, por não haver competição ao objeto a ser contratado. É aí que a coisa pega. O Peladão pode ser considerado um objeto “essencial” que atenda ao interesse sob a tutela estatal? O evento é mais importante que os maiúsculos problemas que ocorrem na saúde, educação e na segurança pública?

Ainda a tratar sobre a inexigibilidade, é necessário que haja uma relação de confiança e o critério tende a ser discricionário, mas nunca arbitrário. Essa confiança a que me refiro, deve decorrer de critérios objetivos e não, por exemplo, de “relações de amizade”.

Por último, o valor da “cota”: R$ 1.650.000,00. Convenhamos, é vultosa demais para um evento de importância de menos.

Só uma resposta me ocorre: esse “paitrocínio” deve fazer parte do tal “amor à causa pública”.   

PERGUNTA 2 –  Sô Cutruco, sabe me informar se o Polo Industrial de Manaus (PIM)  já começou a reagir? A retomar o crescimento? Tarcísio Gonçalves Melo, industriário desempregado, residente do bairro Val Paraíso.

Sô Cutruco – Senhor Melo, o PIM (Polo Industrial de Manaus) fechou 2017 com uma redução de 31% no número de demissões de trabalhadores do setor, em cotejo com o ano de 2016, conforme dados divulgados pelo Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas).  

De janeiro a dezembro de 2017, foram registradas 12.302 demissões no PIM contra 17.837  em 2016. Informa o relatório da entidade ainda que, no primeiro semestre, houve registro de 7,1 mil demissões contra 5,1 mil no segundo. Uma queda de 28% no confronto semestral. O destaque negativo foi a Samsung da Amazônia que demitiu 990 trabalhadores.

Sim, são números animadores, porém, não é o caso de se vestir uma fantasia e sair a desfilar nos blocos carnavalescos de Manaus. Conforme declarou o presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Amazonas), Wilson Périco, ao Jornal do Commercio, é preciso “cautela ao analisar o resultado, uma vez que segundo ele, nos últimos anos o setor perdeu aproximadamente 45 mil empregos”. E disse mais: “Temos que manter o pé no chão porque os empregos do setor vêm diminuindo e isso é preocupante. O fato de reduzir as demissões não representa uma retomada de crescimento, já que estamos fazendo um comparativo com um ano base ruim”.

Ou seja: os números do PIM melhoraram, mas não tanto assim. Cautela e paciência, senhor Melo, são as palavras de ordem. E, lembre-se, este ano a agenda ainda contemplará Copa do Mundo e eleições. Haja coração! Como exclamam vocês, cá no Brasil.

PERGUNTA 3 – Sou usuária do transporte coletivo e já fui assaltada  oito vezes. O senhor acha que algum dia isso vai ter fim? Amália Peixoto, moradora da Lagoa Verde.

Sô Cutruco – Senhorinha Amália, com todo o respeito que a senhora me merece, eu não acho, eu penso. E o que penso não é nada animador. Imagina a senhora que nove concessionárias que atuam no sistema de transporte coletivo da nossa capital registraram  3.844 assaltos, em 2017. Isso significa que, em média, são incríveis 10 assaltos por dia, um absurdo!

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), as empresas contabilizaram um prejuízo de mais de R$ 1 milhão para o sistema. E os usuários, em quanto foram subtraídos?

O senhor presidente do Sinetram, Carmine Furletti Júnior, afirma que a adesão ao sistema de pagamento eletrônico (cartões Passafácil)  reduzirá o índice de criminalidade. Defende que é a melhor opção, porque o usuário não mostrará dinheiro e o cobrador não terá problemas com troco.

A adesão é sim um paliativo que favorecerá as partes – o usuário não precisará ter o dinheiro da passagem consigo e o caixa do ônibus ficará pouco atrativo para os bandidos. Mas isso é uma leitura reducionista. Quer dizer que todo usuário de ônibus, a partir da adesão ao Passafácil, estará à salvo de assaltos? Também não deverá ter consigo nenhum recurso financeiro e terá que resistir a fome, sede e a tentação (ou necessidade) de comprar  algo para si? Ora sim senhor, tenha a santa paciência!

Ademais, não há divulgação dos resultados satisfatórios obtidos pela polícia resultante dos Boletins de Ocorrências (BO) e das imagens das câmeras de segurança dos ônibus que lhes são entregues para identificar e prender os criminosos. O que só demonstra que o combate é ineficaz, ora, pois!

Evidentemente, não é um caso de se colocar um policial em todos os ônibus, mas faz-se necessário  intensificar as buscas, identificar os capturados por câmaras e divulgar suas prisões, seus nomes, a causa e a pena.  

Fora isso, só investindo em educação, com resultados em longo prazo.

A Manaus de hoje, minha cara Amália, nada se parece com a Manaus de quando aqui cheguei, infelizmente!

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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