Sô Cutruco 4 meses atrás

O ORÁCULO DO SÔ CUTRUCO

Moramos em uma cidade em descontrole absoluto. Aqui autoridades constituídas são desmoralizadas; determinações judiciais são descumpridas e a vontade irresponsável de uma categoria se impõe.

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Pergunta 01 – Sô Cutruco, como o senhor entendeu a greve dos rodoviários que paralisou Manaus? (Álvaro Vermelho Filho, bairro do Alvorada, Manaus/Am)
Sô Cutruco – Uma bagunça, Senhor Vermelho! Moramos em uma cidade em descontrole absoluto. Aqui autoridades constituídas são desmoralizadas; determinações judiciais são descumpridas e a vontade irresponsável de uma categoria se impõe. Nesse caso pouco a se importar com as consequências da coletividade, um corporativismo bestial. Não estou a dizer que greve não seja uma manifestação legítima, é, mas sempre há que se imporem limites. Os grevistas estavam a querer firmar um acordo por conta de um desacordo. Ora, isso se consegue com dialogo, não com paralisação total de um serviço essencial! Foi um espetáculo deprimente e inconcebível, chegou-se às raias do absurdo manter-se 100% da frota de ônibus retida nas garagens. Depois os ônibus foram liberados homeopaticamente 30%, 50% e 60%, isso no sexto dia da greve, um papelão! Na outra ponta, os transportes alternativos: mototáxis, táxis e motoristas de aplicativos, aproveitando-se da desgraça da comuna, aumentaram suas tarifas habituais. Um bando de canibais.
Depois toda a gente que muito soube aguentar, não suportou e danou-se a depredar, a vandalizar e deu no que deu. Foi a décima paralisação dos rodoviários só neste ano, Senhor Vermelho, eles a reivindicar e o usuário do transporte coletivo a penar. Se tivesse que dar notas, daria zero para todos os atores: patrões, empregados, prefeito e vereadores, e nota dez para os empregadores, que entenderam o drama de seus colaboradores.
Pergunta 2- O Atlas da Violência 2018, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado no último dia 04, o surpreendeu, Sô Cutruco? (Cândida Honório Carneiro, morador do bairro Chapada, Manaus/Am).
Sô Cutruto – Evidentemente não, Senhora Cândida! Nem a mim e nem ao Brasil inteiro, que vive dias sombrios e tensos. Essa taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil almas é 30 vezes a taxa da Europa. É um descalabro, mas não surpreende porque é o cardápio diário que nos é servido.
Convido-a agora a sair do geral para o particular, Senhora Cândida. A média nacional de homicídios por unidade da Federação (2006/2016), como dito no parágrafo anterior, é 30,3. Mas no Amazonas é de 36,3. Em tempo de Copa do Mundo, 1 x 0 para nós. A taxa de homicídio de mulheres – também por 100 mil habitantes – é de 4,5 no Brasil, é de 5,9 por aqui. Outro golo, 2 x 0. Agora, se o assunto é estupro (entre 2006 a 2016), carregue na sua tinta, pois aqui foram 930. Pararei por aqui, 3 x 0 já é um placar elástico.
Pergunta 3 – O Senhor deve ter tomado conhecimento do assunto que mais bombou nos jornais e nas redes sociais locais: a publicação do Diário Oficial do Ministério Público do Amazonas, tratando o comandante geral da Polícia Militar no Amazonas, Coronel David Brandão, de pau mole. O que pensa o Sô Cutruco? (Lauro Almada Coelho, do bairro de São Lázaro, Manaus/A)
Sô Cutruco – Não houve hipótese de não tomar conhecimento desse lamentável episódio. E, nesse caso específico, me aproprio de uma expressão idiomática brasileira: “é mole?”. Foi um erro grosseiro e ofensivo, Senhor Lauro. Por isso, não convém alongar o assunto, tamanho o absurdo. Termino, pois, a rimar, como bem o fazia o grande vate de além-mar: agora resta-nos aguardar todas as medidas que o ofendido há de tomar, providências judiciais cabíveis e recorríveis, quer no campo pessoal, quer no institucional. Diz-se que o MP determinou apuração (ao menos isso). Sabe-se lá quando teremos a conclusão? O estrago sobrou todo para o coronel Brandão.
Pergunta 4- Quanta demora em identificar e prender o assassino do advogado Armando Freitas, né, Sô Cutruco? (Clotilde Maria Colombina, bairro Zumbi dos Palmares, Manaus/Am)
Sô Cutruco – É verdade, Senhora Clotilde. Por isso, ao perceber a impressionante lerdeza do trabalho investigativo do “novo governo” do Amazonas, os 81 conselheiros da Ordem dos Advogados do Brasil Secção Amazonas (OAB-AM) decidiram “inovar”. Recorreram ao velho expediente dos filmes do velho Oeste americano e estão a oferecer R$ 5 mil de recompensa, para quem concretamente informar o paradeiro do assassino do advogado Armando Freitas. O presidente do órgão achou a ideia brilhante. Curiosamente ele afirmou que os órgãos de segurança do estado muito bem a aceitaram. Bem, com esse estímulo, pode ser que agora o bandido fantasma seja encontrado. A propósito do que disse o presidente da OAB, Marco Aurélio de Lima Choy, e a pronta aceitação dos órgãos de segurança do estado, disse-me a minha diarista: Choycante, Sô Cutruco.
Pergunta 5 – Mas Sô Cutruco, tanto oba oba e os investigados pelo superfaturamento da obra da ponte Phelippe Daou, os ex-governadores Eduardo Braga e Omar Aziz, saíram de boa. Que coisa, né? (Augusto Bulcão, de Parintins/Am).
Sô Cutruco – Caro Senhor Bulcão, tantas decisões estapafúrdias estão a ocorrer no Supremo Tribunal Federal (STF), que muitas não merecem comentário ou ajuizamento, essa é uma. Dessa vez a decisão foi do ministro Alexandre de Moraes, empossado durante o desgoverno Temer. Seria leviano afirmar, mas também seria ingênuo não especular, que o alinhamento dos nossos ex-governadores com Temer pode ter ajudado. O certo é que a delação do então executivo da empreiteira Odebrecht, Arnaldo Cumplido de Souza, de que teria ocorrido um acerto para que fossem feitos repasses aos investigados, para favorecer a empreiteira nas obras da ponte do Rio Negro, foi arquivada. O ministro disse que o delator não apresentou provas concretas contra os acusados, assim, não haveria justificativa para a continuidade da investigação. Disse ele ainda: “O acordo de colaboração premiada é um meio de obtenção de prova pelo qual o colaborador deve apontar indícios e provas a serem obtidos. Na presente hipótese, contudo, todas as informações prestadas pelo colaborador foram negadas pelas testemunhas por ele indicadas; não se obtendo durante a investigação qualquer indício de autoria e materialidade das infrações penais apontadas”. Fico eu a pensar cá com os meus botões: o que levaria um delator, que está com a corda no pescoço, faltar com a verdade? Que testemunhas são essas, por ele indicadas, que nada confirmaram? Teria algo com elas ocorrido  na hora de seus testemunhos? É cada uma que parecem duas. Como diz o verso do velho Cartola: “o mundo é um moinho”.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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