Medicina 2 anos atrás

Os programas de emagrecimento por meio de aplicativos e o efeito sanfona

Afinal, apps (aplicativos) auxiliam ou não na perda de peso? O questionamento é oportuno na medida em que proliferam programas para aparelhos telefônicos móveis (celulares), prometendo ajudar na eliminação dos incômodos quilos …

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Afinal, apps (aplicativos) auxiliam ou não na perda de peso? O questionamento é oportuno na medida em que proliferam programas para aparelhos telefônicos móveis (celulares), prometendo ajudar na eliminação dos incômodos quilos que a maioria das pessoas diz não lhes pertencer. Essa foi a pergunta de uma pesquisa  respondida por 404 estudiosos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Durante dois anos metade dos participantes recebeu apenas orientações gerais, a outra metade integrou um programa de emagrecimento por meio de aplicativos e redes sociais.  O resultado? Nenhum, não houve diferença na perda de peso entre os membros dos dois grupos.

Segundo o professor Antônio Herbert Lancha Jr., autor do livro O Fim das Dietas (Editora Abril), “As soluções tecnológicas podem ser úteis, mas, sozinhas, não resolvem a questão”, e completa, “O apoio de um profissional de saúde é decisivo para alcançar o resultado”.

Não é fácil impedir o efeito sanfona, aquele em que a pessoa faz dieta, consegue eliminar os quilos indesejáveis, mas os readquire rapidamente. Entretanto, para a alegria dos que com isso se entristecem, uma nova pesquisa da Universidade do Alabama, em Birmingham, defende que ficar nesse engorda e emagrece não é tão prejudicial assim para a saúde. Na contramão do senso comum, os cientistas envolvidos nessa pesquisa entendem que, depois de um tempo, emagrecer e engordar é melhor que continuar gordo. A equipe do bioestatístico David Allison, responsável pelo estudo, assim concluiu ao observar variações de peso em ratos. Os roedores obesos estimulados ao processo de engorda e emagrecimento – efeito sanfona – viveram mais que aos que permaneceram obesos. Aqueles que tiveram alterações de peso, inclusive, não sofreram danos.

Em seu discurso no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), em Boston, Allison afirmou que não é uma má ideia perder peso, ainda que depois de um tempo você venha a adquiri-lo novamente.

Outro estudo, este realizado pelo Memorial Hospital of Rhode Island, nos Estados Unidos, indica que oscilações acentuadas no peso podem afetar significativamente a saúde cardiovascular das mulheres. No trabalho realizado por 11 anos, em média, mais de 158 mil voluntárias na pós-menopausa foram acompanhadas. Elas foram dividias em quatro grupos: as que sempre se mantiveram magras, as que acumularam quilos de pouco em pouco, as que enxugaram a cintura e seguiram assim e as que sofriam com o famoso efeito sanfona.

Analisados o número e a causa das mortes em cada turma, causou surpresa o fato de que aquelas com variações constantes na forma física exibiram um risco 3,5 vezes maior de morrer por parada cardíaca, em comparação com as mulheres que permaneceram magras ao longo da pesquisa. Entretanto, isso só serve para as pessoas magras que, por algum motivo, começaram a apresentar o efeito sanfona durante o experimento.

Entre as obesas, eventuais flutuações, mesmo quando acentuadas, não foram associadas a um risco adicional de morrer de um problema no coração. Mas em comparação com as constantemente magras, as mais cheinhas têm uma probabilidade maior de falecer em decorrência de complicações no peito. Logo, a gordura de sobra perene também traz prejuízos, como muitos outros estudos reforçam.

Entretanto, apesar de o levantamento contar com um enorme número de voluntárias, seus autores destacam que não dá para saber de fato se foi o efeito sanfona que aumentou o número de mortes por parada cardíaca. Outra limitação do estudo reside no fato de que foram avaliadas somente participantes na pós-menopausa. Ou seja: é errado estender os achados a mulheres mais jovens ou homens em geral.

Ainda assim, convém combater esse vaivém da forma física, uma vez que outros experimentos sugerem que ele promove um estado inflamatório capaz de desencadear diversas enfermidades.

O principal desafio não é emagrecer, é preservar a forma física alcançada. O ideal, portanto, é buscar um estilo de vida equilibrado em vez de tentar buscar soluções mágicas com dietas radicais.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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