Geral 8 meses atrás

PROMETEU E NÃO…

O antigo slogan “prometer e não cumprir é pior do que mentir” é costumeiramente usado em campanhas eleitorais. No caso presente é pertinente, o protagonista é contumaz reincidente…

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PROMETEU E NÃO CUMPRIU

O antigo slogan “prometer e não cumprir é pior do que mentir” é costumeiramente usado em campanhas eleitorais. No caso presente é pertinente, o protagonista é contumaz reincidente. Nem vale à pena lembrar suas promessas pretéritas, de antigos carnavais, digo, de antigas pugnas eleitorais. O negão, abelha, ama ou seja lá qual for o rótulo inventado, nesse quesito, é um páreo difícil de ser batido.

Para vencer a eleição do mandato tampão realizada em 2017, Amazonino Mendes registrou promessas de toda a ordem em seu programa de governo – entregue ao TSE – e em declarações concedidas a distintos veículos de comunicação. Sobre salários disse que os poria em dia. Cumpriu em parte. Não dá pra esquecer o protesto ocorrido em julho deste ano, quando funcionários terceirizados que trabalham em hospitais públicos do estado – enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros e outros profissionais que atuam em hospitais públicos – se reuniram em frente à Secretaria de Estado da Saúde (Susam). Os protestantes cobravam da Susam solução para os atrasos. A categoria afirmava que dois mil trabalhadores terceirizados, contratados por quatro empresas, estavam sem receber pagamento. No contraponto, o Sindicato dos Trabalhadores em Santas Casas, Entidades Filantrópicas e Religiosas e em Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Amazonas (Sindpriv-AM) declarava que as empresas terceirizadas não estavam cumprindo com várias obrigações trabalhistas.  A verdade nunca disse de que lado estava.

Amazonino prometeu enxugar a máquina pública e combater o desperdício para investir na qualidade de vida do povo do Amazonas. O governo divulgou ter economizado aproximados  R$ 300 milhões com revisões de contratos desde outubro de 2017. Contudo, não há prova ou garantia de que tal economia tenha ocorrido, há a certeza de que o recurso não foi investido ‘na qualidade de vida do povo do Amazonas’.

Outra promessa foi a de reforçar o atendimento itinerante de assistência social, através dos barcos PAI e atender todas as calhas dos rios. No meio da jornada, o governo afirmou ter encontrado problemas técnicos na estrutura do programa. Todavia, garantiu que realizaria investimentos para a reestruturação e a ampliação do serviço nas calhas. Chegamos ao ocaso de sua gestão e… Necas de pitibiriba.

O governador que ora se despede, prometeu regionalizar o material e a merenda escolar, adquirindo-os de fornecedores locais – associações, cooperativas e pequenos produtores rurais. O material e a merenda escolar não foram regionalizados como deveriam. As compras concentraram-se em ovos e carne de grandes empresários – há controvérsias quanto à procedência da carne ser ou não ser originária do Amazonas. Assim também ocorreu com as agroindústrias de pescado – essa produzida aqui – e polpa – essa produzida fora do estado. Produzidas 100% aqui e em grande escala, são as licitações dispensadas pela Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas – ADS, órgão encarregado pela compra desses produtos. Ao pequeno produtor restou contentar-se com a pequena escala de comercialização de seus produtos e sofrer para receber a sua paga. A prioridade primeira é honrar os compromissos com as grandes empresas.

Seu programa de governo prometia, ainda, a retomada das 200 obras paradas, priorizando aquelas que gerariam mais empregos, o que ajudaria na recuperação da economia. Apenas uma ínfima parte dessas obras foi retomada. Obras de maior envergadura, como a Cidade Universitária, no município de Iranduba, por exemplo, permaneceu do jeito que estava: parada.

O programa de governo entregue ao TSE assegurava a redução de preços de medicamentos e garantia o suprimento aos hospitais. O governo cuidou de divulgar a realização de uma reestruturação que prometia, a partir de então, ter maior controle dos processos de compra, estoque, abastecimento das unidades e atendimento aos usuários dos programas de medicamentos e produtos gratuitos. Mas o que os veículos de comunicação noticiaram nesses meses de governo, passou ao largo disso. Além do que, este mês, houve atraso de pagamento a empresas do setor o que gerou atraso nos salários dos profissionais envolvidos. Um caso tão sério, que os médicos ameaçaram paralisar as cirurgias eletivas. A bronca foi desfeita com o remanejamento de verbas.

O governador prometeu melhoria, novas instalações e ampliação dos serviços prestados nos Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC). Bem, do PAC fui vitima e testemunha: não houve revitalização, houve esvaziamento. Visite os PAC’s da Galeria dos Remédios e do Parque Dez e comprove.   

O programa prometeu melhorar os serviços de inteligência visando o combate ao crime organizado e a redução da criminalidade. Houve aumento nos casos de lesão corporal, estupro, furto e roubo. Em setembro o Amazonas foi o segundo estado do Norte com maior registro de crimes violentos (107 registros). E mais, conforme dados da SPP, quatro em cada 10 homicídios em Manaus têm relação com tráfico de drogas. Em todo o estado, quase 90% dos homicídios tiveram característica de execução, a maioria atribuída ao tráfico. Furtos e roubos de veículos ultrapassaram 4,5 mil registros neste ano, só em Manaus. Deve ter alguma razão para esse quadro tão macabro, mas esta não é a falta de viatura, afinal, o governo Amazonino Mendes gasta anualmente mais de R$ 63 milhões em aluguel de veículos para as polícias Civil e Militar – mais da metade da frota de viaturas é composta de veículos alugados. Ama foi à Nova Iorque e contratou o escritório de consultoria do ex-prefeito daquela cidade, Rudolph Giuliani. Até agora a redução da violência e combate a criminalidade não saiu da circunscrição do estado americano de Nova Iorque.

Os Centros de Convivência seriam revitalizados para que voltassem a prestar serviços de qualidade. Apenas algumas reformas pontuais em quadras e instalações de Centros de Convivência foram feitas, a maioria continua a pedir obras ou reparos.

Sobre criar cursos para o setor de biotecnologia, que possibilitassem o ingresso do formando no mercado de trabalho, não passou de fábula. O setor de biotecnologia ainda não ganhou cursos no Amazonas. O negão prometeu recriar a Secretaria de Ciência e Tecnologia, não recriou. Prometeu criar uma força-tarefa inteligente capaz de defender com eficácia a Zona Franca de Manaus, não criou.

Por essas e outras fábulas é que Amazonino está se despedindo definitivamente da vida pública, não sem antes ter prolongado o feriado e saído para pescar. Sabem-se lá quantas estórias na volta não contará.

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Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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