Opinião 10 meses atrás

QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER

No dia primeiro de janeiro, imutavelmente, ocorre o esperado encontro entre o ano novo e todos os seres humanos do planeta Terra. A regra é recebê-lo com festa e a renovada crença em dias melhores. O traje e a cor para a ocasião pode ser qualquer uma, geralmente a da preferencia individual e o simbolismo […]

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No dia primeiro de janeiro, imutavelmente, ocorre o esperado encontro entre o ano novo e todos os seres humanos do planeta Terra. A regra é recebê-lo com festa e a renovada crença em dias melhores. O traje e a cor para a ocasião pode ser qualquer uma, geralmente a da preferencia individual e o simbolismo que cada uma em si carrega. Se o ano que terminou foi venturoso, espera-se que o novo ano seja ainda melhor; se não o foi, que agora seja. Mas isso não basta, para que se materialize o que se planeja, é preciso que haja  atitude.

É como o início de um namoro com um “bem” que sabíamos chegaria. Então transbordamos  solicitude, oferecemos carinho, depositamos fé, revelamos esperança, juramos fidelidade e fazemos um sem-número de promessas, que vão desde mudança de hábito alimentar ao início de atividade esportiva; de mais respeito ao próximo e mais tolerância no trânsito; de freio no impulso perdulário e poupança financeira; de assistir menos futebol e dedicar mais tempo a família; de fazer as pazes com um colega de trabalho e ter mais foco profissional; de reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e buscar conforto na espiritualidade;  de assistir menos TV e ler mais livros; de sair da negatividade da conta bancária e viajar de férias para lugar qualquer.

E assim os dias passam, janeiro acabará e o carnaval terá chegado – este ano se estenderá até a primeira quarta-feira de março. E agora, iremos ao baile do Havaí ou ficaremos em casa no calor aconchegante do baile dos lençóis? Compraremos a fantasia ou priorizaremos algo mais importante? Beberemos água ou cerveja? Comeremos aquele sanduíche acompanhado de bacon e recheado de maionese ou tomaremos uma sopinha leve? Seja qual for a opção escolhida, são esses os primeiros desafios que o novo “namoro” nos imporá.

No mês de março, nós e o novo ano ainda estaremos em lua de mel, mas o bolso estará a reclamar o desconforto das extravagâncias parceladas no cartão de crédito desde o Natal e os compromissos assumidos antes e durante o carnaval, o que poderá gerar conflito na relação. O  mês se revelará inesquecível quando a Prefeitura apresentar o carnê do IPTU. Na casa do “sem jeito”, se folga financeira houver, pagaremos a anuidade com desconto, caso contrário – quase uma regra -, este fará parte da planilha de custo fixo mensal até dezembro.

Abril e maio as chuvas ainda conservarão a média de 18 a 29 dias por mês, iniciadas em dezembro do ano anterior. Quando a gente menos esperar chegará o mês junho, aí o sol começará a se enxerir e as festas e excessos gastronômicos se apresentarão sob as bênçãos de Santo Antônio, São João e São Pedro. Se não impusermos limites, lá se irão o sacrifício da dieta iniciada em janeiro, quebrada em fevereiro e retomada em março. É que as guloseimas típicas são irresistíveis e as bebidas alcoólicas quase que indissociáveis.  

Julho trará o início do segundo semestre. Pois é, seis meses terão passado meteoricamente, aí, se não adubamos e regamos corretamente a horta das nossas atitudes – aquelas planejadas no dia primeiro de janeiro -, a aridez do bolso permanecerá a mesma e a massa disforme será percebida pelo pior dos espelhos, os olhos alheios. Ah, os olhos alheios! Esses se comunicam com a língua, que não resiste a comentários. Alguns sem qualquer filtro, outros com eufemismos que incomodam tanto quanto: Tu estás mais “forte”? Tu estás mais “forte”, né? Ficas bem com o rosto mais cheinho? Tua “cartucheira” aumentou ou é impressão minha? Antigamente tu não tinhas essa “barriguinha”, né? Que bração, hein! É gordura ou massa muscular?

Tal e qual o primeiro semestre, o segundo também voa. Se nada tiver germinado até novembro, dificilmente haverá colheita em dezembro. É nesse instante que baterá o conformismo e a frustração de que só restará a “engorda” nas muitas confraternizações que aquele mês nos reserva.

O recomendável é seguir rigorosamente o planejado, nada floresce em solo estéril. Fico com a verdade que o verso de Geraldo Vandré encerra: Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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