Política 2 semanas atrás

RESCALDO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

No dia 15 de agosto de 2018, começaram oficialmente as eleições presidenciais, a partir daquela data, fatos marcantes ocorreram aos borbotões:…

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RESCALDO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

No dia 15 de agosto de 2018, começaram oficialmente as eleições presidenciais, a partir daquela data, fatos marcantes ocorreram aos borbotões:

Nessas eleições saiu de cena a polarização PT x PSDB, presente desde 1994.

Luciano Huck  participou de reuniões com políticos e partidos, flertou com o PPS, foi incluído em pesquisas de intenção de voto, mas depois negou a candidatura ao vivo no “Faustão”.

Idem aconteceu com o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa. Filiou-se ao PSB, foi incluído em pesquisas eleitorais, mas, através do Twitter, pulou fora, sob a alegação de motivo “pessoal”.

O PT deixou para o último dia do prazo – vinte e seis dias após o início oficial da campanha eleitoral – o anuncio da candidatura de Fernando Haddad à presidência. O partido insistiu na candidatura Lula, mas em 1º de setembro, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a rejeitaram.

Da prisão, Lula coordenou a campanha. E transgrediu ao insistir em suas nas aparições durante  propaganda eleitoral televisiva, essas gravadas antes de ele ser preso.

A prisão de Lula se transformou em uma disputa de decisões entre o juiz Sergio Moro e o desembargador plantonista Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O imbróglio teve fim quando o presidente do TRF4, Carlos Eduardo Thompson Flores, encaminhou o caso de volta para o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato na corte. Gebran endossou a permanência de Lula na cadeia.

Lula recorreu à Justiça para dar entrevista durante o período eleitoral, sem sucesso.

Fernando Haddad, o escolhido para substituí-lo, foi apelidado de “poste” por seus adversários. Lula conseguiu transferir muitos votos para Haddad, o que o credenciou a disputar o segundo turno.

No segundo turno, por estratégia de marketing, Haddad escondeu Lula da campanha, pintou o vermelho da bandeira petista de verde e amarelo, retirou do programa de governo a ideia de convocar uma nova Assembleia Constituinte e abrandou o discurso de esquerda.   

À coluna “Painel”, da Folha de São Paulo, Lula admitiu àqueles que o visitaram na sede da Polícia Federal, em Curitiba, que “foi um erro da campanha do partido deixar “Haddad preso em São Paulo” gravando propagandas de televisão”. Para ele, Haddad se afastou do povo e abriu espaço para que Bolsonaro conquistasse eleitores das periferias do Brasil.

Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais. No dia 6 de setembro, o agressor, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso em flagrante e disse ter agido por “motivações religiosas, de cunho político”.

Bolsonaro ficou internado por 23 dias e passou por duas cirurgias. Deixou o hospital, cumpriu repouso médico em casa e, impedido de fazer campanhas nas ruas, intensificou suas postagens nas redes sociais.

Apesar de os médicos do candidato Bolsonaro terem dito que o seu comparecimento em debate político era possível, pois do ponto de vista clínico, o presidenciável estaria liberado, Bolsonaro, por estratégia política, aproveitou-se da sua debilidade pós-atentado e não encarou nenhum debate no 2º turno.  Foi a primeira eleição sem debate no 2º turno.

No dia 8 de setembro, o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, matou a facadas o capoeirista Moa do Katendê, de 63 anos, em Salvador. Segundo a polícia, o motivo do desentendimento teria sido as críticas feitas por Moa ao candidato Bolsonaro. Após o episódio,  Bolsonaro e Haddad apelaram contra a violência na campanha. O assassino foi denunciado e virou réu. Ele nega que a motivação do crime tenha sido política.

A desinformação, denominada “fake news”, fenômeno ocorrido em eleições nos Estados Unidos, no Reino Unido, na França, na Alemanha e no México, foi a tônica dessa campanha presidencial. Os candidatos trocaram acusações entre si e houve ações na Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou uma página para esclarecer os eleitores sobre mensagens falsas que circulavam em redes sociais. Pouco adiantou.

A Câmara Federal passou pela maior mudança nos últimos 20 anos (47%), dos 513 eleitos, 243 deputados são de primeiro mandato. O partido que mais cresceu foi o PSL, de Jair Bolsonaro, que passou de oito parlamentares para 52, tornando-se a segunda maior bancada. No Senado a renovação foi a maior desde a redemocratização, apenas oito dos 32 senadores que tentaram a reeleição, obtiveram sucesso nas urnas.

Um vídeo gravado quatro meses antes, em que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), reeleito com a maior votação da história, superando Enéas, afirma que ‘basta um soldado e um cabo’ para fechar o STF, repercutiu e abalou a campanha do pai em sua reta final. O vídeo provocou a  reação dos ministros da Corte. O deputado justificou dizendo que citou apenas uma brincadeira que teria ouvido na rua e pediu desculpas. Jair Bolsonaro também se desculpou.

Manifestações a favor e contra o presidenciável Jair Bolsonaro ocorreram em diversas cidades do Brasil, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Os movimentos #Elenão e #Elesim, fizeram convocações através das redes sociais.  

O músico Roger Waters, que fazia a turnê “Us + Them” no Brasil, se posicionou contra o candidato Bolsonaro em shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foi muito mais vaiado que  aplaudido.

Por divergências de preferência política, ocorreram incontáveis debates acalorados e brigas nos grupos de WhatsApp familiares e de amigos.

Desde a proibição do STF, em 2015, essa foi a primeira eleição sem a doação de empresas. Os candidatos contaram apenas com os recursos do Fundo Partidário, do Fundo Eleitoral e doações de pessoas físicas, feitas diretamente aos candidatos ou através de vaquinhas virtuais.

Em entrevista ao Jornal Nacional, o então candidato, Jair Bolsonaro (PSL), desconsertou  emocionalmente os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos.

O candidato à Presidência, Cabo Daciolo (Patriota), que se notabilizou pelo bordão “glória a Deus”, ao término do primeiro turno, anunciou jejum de 21 dias, além de não concessão de entrevistas. Disse que era perseguido por uma suposta sociedade secreta que pretendia matá-lo – os Illuminati. Assim, decidiu se recolher para orar e travar uma guerra no “plano espiritual”.

Jair Bolsonaro, com a sua pose como se estivesse apontando uma arma, arrebatou críticas de seus oponentes e virou febre entre os seus seguidores e eleitores.

A lentidão do processo de votação, especialmente na etapa da leitura digital, provocou enormes filas e reclamações no primeiro turno.

No Rio Grade do Sul uma jovem denunciou que apoiadores de Bolsonaro haviam-na marcado na barriga com o símbolo da suástica. Duas semanas depois, a jovem foi indiciada por falsa comunicação de crime, o laudo pericial indicou automutilação.  

Ainda que não contivesse identificação partidária e sob pena de prender o diretor da instituição, a Justiça ordenou que a Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense retirasse da fachada, uma faixa com a mensagem “Direito UFF Antifascista”.

Sobre a ausência de um apoio efetivo à candidatura de Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes, candidato derrotado à Presidência pelo PDT, disse: “Eu não quero fazer campanha para o PT nunca mais”.

Já a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), após votar em Belo Horizonte e acreditando na virada de Fernando Haddad (PT), declarou: “Bolsonaro morreu pela boca”.

Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o candidato derrotado Fernando Haddad, discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

Jair Bolsonaro em seu primeiro discurso público, após ter a vitória nas urnas confirmada: “ Não poderíamos mais ficar flertando com o socialismo, o comunismo, o populismo e o extremismo da esquerda”.

Detectado por institutos de pesquisa, Bolsonaro e Haddad bateram recorde negativo de rejeição.

Geraldo Alckmin, em busca de maior tempo de propaganda eleitoral, aliou-se ao Centrão, formado por nove partidos. Contou com 44% do tempo de tevê no primeiro turno e a maior fatia das verbas públicas para campanha. Teve tempo e dinheiro, não teve voto. Foi a maior derrota da história do PSDB em eleições presidenciais.

Bolsonaro, com apenas oito segundos e a construção de sua imagem  através das redes sociais, saiu vitorioso. O atentado deu-lhe a visibilidade que jamais teria.

Jair Bolsonaro inspirou-se no conceito “Pergunta lá no Posto Ipiranga” quando remetia boa parte dos questionamentos sobre economia, ao seu “guru” e principal conselheiro econômico, Paulo Guedes.

O desconhecido cabo Daciolo terminou o primeiro turno em sexto lugar, com 1,26% dos votos válidos, acima de concorrentes como Henrique Meirelles (MDB), Marina Silva (Rede) e Álvaro Dias (Podemos).

Durante a campanha eleitoral o presidente Michel Temer atacou de “youtuber” e divulgou vídeos se defendendo das críticas feitas pelos candidatos Haddad e Alckmin. As gravações foram consideradas pelos internautas como bem-humoradas e acabaram por dar surgimento ao “Fica, Temer”, “movimento” criado nas redes sociais por aqueles insatisfeitos com os candidatos que passaram para o segundo turno.

O vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão (PRTB), para desespero dos aliados, quase entorna o caldo. Em entrevistas e palestras a empresários, deu declarações desastrosas. Bolsonaro precisou intervir, relativizando-as ou rechaçando-as.

O PSL elegeu governadores em três estados: Santa Catarina, Rondônia e Roraima.

No Espírito Santo, Fabiano Contarato (Rede), tornou-se o primeiro senador assumidamente gay eleito no país, derrotando Magno Malta (PR), campeão de votos em 2010, que havia preferido tentar a reeleição a ser vice de Bolsonaro na disputa pelo Planalto.

Marina Silva, que aparece de quatro em quatro anos, passou meses na terceira posição nas pesquisas de intenção de voto (com Lula) e segunda (sem Lula). Despencou depois que o ex-presidente teve a candidatura barrada. No fim, Marina ficou em oitavo lugar, com pouco mais de 1 milhão de votos, ou 1% dos votos válidos. Mariana e REDE encolheram.

Em 15 de setembro, Cid Gomes – senador eleito pelo Ceará –, ao falar a um público de aproximadamente 700 pessoas, em Fortaleza, ainda incomodado com o tratamento que Lula e o PT dispensaram a seu irmão no primeiro turno, esbravejou com os petistas da plateia e cobrou desculpas do PT que, segundo ele, fez muita besteira. Vaticinou que o PT perderia a eleição e disse: “e é bem feito”. A um grupo que entoou canção sobre Lula, Cid perdeu a paciência: “Lula o quê? Lula está preso, babaca”. O vídeo e a frase foram muito explorados na fase final da campanha.

Em 18 de outubro, a “Folha de São Paulo” afirmou que empresas que apoiavam Bolsonaro  estariam bancando o disparo massivo de mensagens contra o PT no WhatsApp  o que, se confirmado, configuraria doação ilegal de campanha, o famigerado “caixa dois”. A reportagem não apresentou elementos que comprovassem a denúncia, deu em nada.

Henrique Meirelles foi o candidato que mais investiu dinheiro do próprio bolso em campanha eleitoral, foram R$ 54 milhões. O investimento transformou-se em despesa.

Essa foi a pior eleição presidencial do PSOL na história. Guilherme Boulos obteve apenas 0,58% dos votos válidos. Em 2010, Plínio de Arruda Sampaio obteve 0,86% dos votos.

Janaína Paschoal, do PSL, foi a mulher mais votada para o cargo de deputada estadual na história do Brasil, elegeu-se com mais de 2 milhões de votos no Estado de São Paulo.

Segundo os mais requisitados institutos de pesquisas, Bolsonaro mantinha trajetória de alta nas intenções de voto, quando discursou pela internet para os simpatizantes que se manifestavam em São Paulo e proclamou que os “marginais vermelhos serão banidos do país”, sua rejeição cresceu e o apoio eleitoral a Haddad subiu, reduzindo a distância entre ambos.

Do lado oposto, as críticas do petista Mano Brown de que “a comunicação é alma, e, se não está falando a língua do povo, vai perder mesmo”,  não fizeram nada bem ao PT.

Finalmente, com o projeto “Que país você quer para o futuro?” a Rede Globo, sem perceber, se transformou em um dos maiores, se não o maior, “cabo eleitoral” de Bolsonaro. A voz do povo era a reverberação da voz do capitão. 

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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