Opinião 2 meses atrás

WILSON GOVERNADOR, UMA HIPÓTESE QUE NÃO SE DEVE DESCARTAR

Wilson é mais um exemplo fenomenal de políticos forjados nos meios de comunicação, como: João Bosco Ramos de Lima, Wallace e Carlos Souza, Sabino Castelo Branco, Conceição Sampaio, Lupércio Ramos…

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O Wilson mais famoso do mundo é aquela bola de vôlei – de marca Wilson – que o dedicado funcionário executivo da FedEx, Chuck Noland (Tom Hanks), no filme O Náufrago, para não ficar louco em uma praia deserta, passou a ter conversas regulares com ela – monólogos, evidentemente – depois que o avião da sua empresa (FedEx) cai sobre o Oceano Pacífico, durante uma tempestade. O filme norte-americano é de 2000, o enredo que está a ser escrito no Amazonas é de 2018. Sim, há um Wilson nas terras de Ajuricaba. Não, ele não é um legitimo manaós, ele é mocorongo, filho de Santarém, no vizinho estado do Pará. O candidato Wilson Lima, ao que parece, está no segundo turno da eleição para o governo do estado do Amazonas.  

Wilson é daquelas pessoas que costumamos dizer que nasceu […] virado para a lua. Acredite se quiser, em 2016, quando foi preterido como vice-prefeito na chapa com Marcelo Ramos – em seu lugar entrou Josué Neto – tirou a sorte grande. Teria perdido as eleições – Marcelo foi associado ao Melo (Marmelo) e perdeu a disputa para Artur Neto. Wilson, portanto, debutaria na política com uma derrota. Ao sair de cena permaneceu virgem, condição que ora, parece, é uma exigência do eleitor amazonense – especialmente da capital – ávido por mudança.

Por dois anos ininterruptos, Wilson invadiu os lares do Amazonas, via programa de TV chamado Alô Amazonas, exibido na TV A Crítica, pertencente à Rede Calderaro. Algumas vezes seu programa atingiu 19 pontos de audiência – mais ou menos 300 mil pessoas a vê-lo e ouvi-lo quase que diariamente. Nele abordava os problemas de Manaus – buracos nas ruas, ausência de saneamento básico, abandono, saúde pública precária, violência, insegurança pública, dentre tantas outras mazelas da antiga cidade sorriso. Durante esse período, Wilson foi uma espécie de porta-voz do sentimento de abandono da população desassistida da capital.

Os moradores das Zonas Sul, Centro Sul, Oeste e Centro-Oeste por certo estão surpresos com o fenômeno Wilson. Claro, esses não fazem parte da massa que assistia a seus programas televisivos. Seu público se concentrava nas Zonas Leste e Norte, áreas com elevadíssimas densidades populacionais e, por conseguinte, eleitorais.

Wilson é mais um exemplo fenomenal de políticos forjados nos meios de comunicação, como: João Bosco Ramos de Lima, Wallace e Carlos Souza, Sabino Castelo Branco, Conceição Sampaio, Lupércio Ramos, Nonato Oliveira, Josué Filho, José Costa de Aquino (Carrapeta), Henrique Oliveira, Marcos Rotta, apenas para citar alguns. Todos um dia se elegeram e se reelegeram com votações consagradoras.  

Wilson Lima é um jovem de 42 anos de idade, não se sabe há quanto tempo a residir na capital da Amazônia Ocidental. Sabe-se – mas ele omite – que em 2009, por oito meses, foi nomeado assessor na Prefeitura de Manaus, durante a gestão de Amazonino Mendes. Era, dizem, um aspone, daqueles que não frequentava a secretaria na qual era lotado. Durante o dia trabalhava na TV e, à noite, estudava. Resumo da ópera: Wilson ganhava seu salário sem trabalhar e sua experiência como servidor público no Amazonas é nenhuma.

O sentimento do eleitor amazonense nos últimos anos não é de racionalidade, é puramente emocional. Ele quer mudar, quer o novo e ponto final. Uma rápida regressão chancela essa assertiva, vejamos: em 2014, Eduardo Braga era o franco favorito, mas o amazonense disse que queria mudar e, subitamente, Eduardo passou a ser interpretado como o representante da arrogância, do mal. Assim, o eleitor optou pelo “bom velhinho” que, em vitoriosa jogada de marketing, passou a representar o bem e a “renovação”, a despeito de sua longa carreira política e de ser um homem com 68 anos de vida.  

Em 2016, o eleitor de Manaus clamava por mudança, novamente queria o novo, naquela disputa representada por Marcelo Ramos. Entretanto, sua associação durante a campanha ao então desgastado governador José Melo, além de outros fatores, o derrotaram. Artur era página virada descartada do folhetim político manauara, quiçá amazonense, o eleitor não o queria mais. Não é absurdo dizer que Artur não ganhou aquela eleição, Marcelo a perdeu.

Em 2017, o eleitor reiterou a sua rejeição a Eduardo Braga, esqueceu os maus feitos de Amazonino – ressuscitado politicamente por Omar Aziz – e o elegeu governador tampão.

Bem , os postulantes, em tese, com mais chances de disputar o cargo de governador na eleição que se aproxima, são: um ex-governador temporário, presidente da Assembleia Legislativa, que substituiu o cassado José Melo, mas que de novo nada tem – ele é cria de Melo, Omar e Eduardo -; um governador tampão cansado de guerra, que se elegeu em 2017, com o discurso de que arrumaria a casa e pouco ou quase nada fez para arruma-la; e, finalmente, um senador e ex-governador, maculado com as denúncias da Operação Maus Caminhos.

Nada mais oportuno para Wilson que, por ainda não ter concorrido e ocupado qualquer cargo eletivo, aparece com rejeição zero. Wilson apresenta um fraco discurso, demonstra carência de ideias, inexperiência administrativa e uma campanha que se resume a uma frase: “A bronca é comigo”. Apesar disso, pesquisas eleitorais registradas e não registradas, indicam que Wilson irá para o segundo turno, com reais chances de se tornar o futuro governador do Amazonas.  O amazonense que mudança, fazer o que?  

O suposto caso de estupro que pesa contra si, ainda não foi bem esclarecido, mas esse é um assunto que cabe à justiça apreciar.

Wilson é um holograma apoiado pela família Calderaro, cujo patriarca, um dia, sonhou chegar ao poder – em 1990, Amazonino lançou Humberto Calderado ao governo do Amazonas, depois desistiu (ou o enganou) e o substituiu por Gilberto Mestrinho.

E pensar que Wilson supostamente teria sido contatado para ser o cara que, durante essa campanha, seria usado para bater em Omar e David e, dessa maneira, abrir mais facilmente o caminho para a eleição de Amazonino. Se isso tiver fundamento, o tiro saiu pela culatra.  

Nas rodas de discussões políticas que ocorrem na cidade, a especular o possível sucesso de Wilson nas urnas, em segundo turno, duas perguntas inevitavelmente vêm sempre à baila: será que Wilson sabe a diferença entre o que é orçamentário e o que é financeiro?   Como ele se comportará nas tratativas de interesse do estado como os ministros da Fazenda e da Indústria e Comércio, quando os temas forem Reforma Tributaria e Zona Franca de Manaus?

Tomara que esse Wilson, se ao governo chegar, diferentemente da bola Wilson, que se perdeu durante uma tempestade no mar, não se perca nos banzeiros políticos, que possam vir a ocorrer nas águas do rio mar.

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sobre

Lucio
Bezerra

Manauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta Terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, sonhador e eterno aprendiz.

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